Debate coloca desenvolvimento do Tocantins no centro: veja o que cada candidato propõe para indústria, emprego e crescimento

Candidatos ao Governo apresentam visões diferentes sobre industrialização, mineração, tecnologia, infraestrutura, agronegócio, crédito e geração de empregos

Palmas (TO) — O desenvolvimento econômico do Tocantins esteve entre os principais eixos do debate realizado nesta quinta-feira (27) pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO), em parceria com a TV Jovem Record. O encontro reuniu sete candidatos ao Governo do Estado e colocou em discussão diferentes caminhos para ampliar investimentos, gerar empregos, fortalecer a indústria e transformar as riquezas produzidas no Tocantins em desenvolvimento para a população.

Participaram do debate Ataídes Oliveira (Novo), Du Pereira (DC), Laurez Moreira (PSD), Luiz Carlos Ferreira (Democrata), Professora Dorinha (União Brasil), Vicentinho Júnior (PSDB) e Professor Witer Naves (PSOL).

Além dos confrontos entre os candidatos, o debate teve como referência as demandas do setor produtivo. Ao final do encontro, a FIETO entregou aos postulantes a Carta da Indústria, documento que reúne propostas e reivindicações para o desenvolvimento econômico do Estado.

A discussão passou por temas como infraestrutura, incentivos, industrialização, mineração, tecnologia, qualificação profissional, crédito, agronegócio e geração de empregos.

Mais do que apresentar propostas diferentes, os candidatos expuseram visões distintas sobre como o Tocantins pode transformar seu potencial econômico em riqueza, renda e oportunidades dentro do próprio Estado.

Professora Dorinha: tecnologia e inovação como instrumentos de desenvolvimento

Professora Dorinha apresentou uma visão de desenvolvimento que aproxima produção, tecnologia e inovação.

Entre os pontos defendidos esteve a criação e fortalecimento de estruturas voltadas à inovação, incluindo parques tecnológicos, além de uma maior aproximação entre o Governo do Estado, universidades e institutos federais.

A proposta parte da ideia de que o conhecimento produzido nas instituições de ensino e pesquisa pode ser transformado em produtividade, novos negócios e empregos qualificados.

A estratégia também busca aproximar o poder público do setor produtivo, criando condições para que empresas possam incorporar tecnologia e inovação aos seus processos.

O desafio, nesse modelo, é transformar pesquisa e conhecimento em resultados econômicos concretos: mais empresas, maior produtividade, empregos qualificados e capacidade de competição.

Vicentinho Júnior: infraestrutura e atração de investimentos

Vicentinho Júnior concentrou sua visão de desenvolvimento na necessidade de ampliar a capacidade do Tocantins de atrair investimentos e transformar sua localização estratégica em vantagem econômica.

Infraestrutura, logística e ambiente favorável aos negócios aparecem como elementos fundamentais para permitir que empresas se instalem, ampliem sua produção e gerem novos postos de trabalho.

A discussão também coloca em evidência a necessidade de conectar a produção tocantinense aos mercados consumidores.

Para que isso aconteça, porém, o Estado precisa enfrentar gargalos de transporte, energia, qualificação profissional e infraestrutura.

A questão que fica é como transformar investimentos em industrialização, empregos permanentes e aumento da renda dentro do Tocantins.

Laurez Moreira: experiência administrativa e capacidade de gestão

Laurez Moreira levou ao debate sua experiência administrativa como um dos elementos de sua proposta para o Estado.

A visão apresentada coloca a capacidade de gestão e planejamento como instrumentos para organizar prioridades e melhorar a utilização dos recursos públicos.

O desenvolvimento, nesse cenário, depende não apenas da capacidade de arrecadar e investir, mas também de definir onde os recursos devem ser aplicados para produzir maior impacto econômico e social.

O desafio apresentado à candidatura é demonstrar quais setores serão considerados estratégicos e quais medidas poderão acelerar o crescimento econômico e a geração de oportunidades.

Ataídes Oliveira: eficiência, fiscalização e uso dos recursos públicos

Ataídes Oliveira apresentou uma abordagem marcada pela defesa de maior fiscalização da administração pública e combate ao desperdício.

A lógica é que o Estado também pode ampliar sua capacidade de investimento por meio de uma gestão mais eficiente dos recursos que já possui.

Nesse modelo, melhorar controles, fiscalizar contratos e combater desperdícios são apresentados como mecanismos para aumentar a eficiência da máquina pública.

A questão central é transformar esse discurso em resultados mensuráveis:

quanto poderá ser economizado, quais despesas poderão ser revistas e como eventual economia será convertida em investimentos e serviços para a população?

Professor Witer Naves: riqueza produzida no Tocantins deve permanecer no Estado

Professor Witer apresentou uma das discussões mais diretamente relacionadas à necessidade de agregar valor à produção tocantinense.

A proposta parte de uma constatação: o Tocantins possui forte produção agropecuária e importantes recursos minerais, mas precisa avançar na transformação dessa riqueza dentro do próprio território.

Em vez de apenas produzir e comercializar matéria-prima, a estratégia defendida busca estimular a industrialização e o processamento da produção, criando novas etapas econômicas dentro do Estado.

Isso significa gerar oportunidades para empresas, trabalhadores e empreendedores locais.

A proposta envolve também crédito, qualificação profissional, industrialização e incentivos condicionados a contrapartidas.

Nesse modelo, o incentivo público não seria apenas um benefício concedido à empresa, mas um instrumento vinculado a resultados, como investimentos e geração de empregos.

A mineração também entrou na discussão. Witer defendeu a necessidade de planejamento para o setor e a elaboração de um plano diretor para a atividade mineral, com o objetivo de ampliar o aproveitamento econômico das riquezas existentes no Tocantins.

O tema ganhou peso diante do crescimento das receitas relacionadas à exploração mineral. Dados apresentados no debate apontaram que a compensação financeira pela exploração mineral passou de R$ 7,8 milhões em 2020 para R$ 35,4 milhões em 2025.

A discussão levantada é maior do que a arrecadação.

É sobre como transformar recursos naturais em desenvolvimento econômico, empregos e renda para os tocantinenses.

A tese central é direta:

não basta o Tocantins produzir riqueza. É preciso criar condições para que uma parcela maior dessa riqueza seja transformada e permaneça no Estado.

Du Pereira: uma alternativa para o desenvolvimento

Du Pereira apresentou uma visão que busca se diferenciar dos grupos políticos tradicionais que disputam o Governo do Tocantins.

Sua participação no debate colocou em evidência a necessidade de apresentar alternativas para a gestão e para o desenvolvimento regional.

O desafio de uma candidatura que busca esse espaço é transformar a diferenciação política em propostas concretas para a economia, geração de empregos e melhoria das condições de vida.

A questão passa a ser:

quais setores terão prioridade e quais mecanismos serão utilizados para transformar as propostas em resultados econômicos concretos?

Subtenente Luiz Carlos: desenvolvimento a partir das necessidades regionais

Subtenente Luiz Carlos apresentou uma visão associada às necessidades concretas das diferentes regiões do Tocantins.

A discussão sobre desenvolvimento, nesse contexto, passa pela identificação dos gargalos que impedem municípios e regiões de aproveitarem plenamente suas potencialidades.

Infraestrutura, serviços públicos e criação de oportunidades econômicas aparecem como componentes importantes de uma estratégia capaz de reduzir desigualdades regionais.

O desafio está em transformar demandas locais em uma política estadual integrada, com prioridades, recursos, metas e cronograma de execução.

O que ficou claro no debate

O encontro não apresentou uma única receita para desenvolver o Tocantins.

Pelo contrário.

As diferenças apareceram justamente na forma como cada candidatura enxerga o caminho para o crescimento.

Dorinha aposta na aproximação entre tecnologia, inovação, instituições de ensino e setor produtivo.

Vicentinho Júnior enfatiza infraestrutura, logística e atração de investimentos.

Laurez Moreira coloca experiência administrativa e gestão no centro da discussão.

Ataídes Oliveira destaca fiscalização, eficiência e combate ao desperdício na máquina pública.

Witer Naves defende que o Tocantins avance na agregação de valor, industrialize sua produção e aproveite melhor suas riquezas minerais.

Du Pereira busca apresentar uma alternativa política para o desenvolvimento.

Subtenente Luiz Carlos concentra sua visão nas necessidades regionais e nos gargalos que impedem o desenvolvimento de diferentes áreas do Estado.

São caminhos diferentes para responder a uma mesma questão:

Como fazer o Tocantins crescer e, ao mesmo tempo, garantir que uma parcela maior da riqueza produzida permaneça no próprio Estado?

O desafio vai além do debate

A entrega da Carta da Indústria ao final do encontro reforça que o setor produtivo espera do próximo governo mais do que compromissos genéricos.

A indústria precisa de infraestrutura, crédito, qualificação, tecnologia, segurança jurídica, ambiente de negócios e planejamento.

E cada uma dessas áreas depende de decisões públicas capazes de produzir resultados no longo prazo.

Por isso, o debate não termina quando as câmeras são desligadas.

A partir de agora, as propostas apresentadas podem ser comparadas com a realidade do Estado.

Quanto custam?

De onde virão os recursos?

Qual será o prazo?

Quem executará?

Quantos empregos poderão ser gerados?

Qual será o retorno para a população?

São perguntas que passam a fazer parte da análise do Factual Eleições 2026 — A Conta da Promessa.

O objetivo não é apontar quem venceu o debate.

É permitir que o eleitor conheça os diferentes projetos colocados sobre a mesa e acompanhe, durante a campanha, o que cada candidato promete, como pretende executar e quais resultados poderá entregar.

Porque o debate apresenta ideias.

A eleição escolhe um projeto.

E o governo, depois das urnas, terá de apresentar a conta.

Factual Eleições 2026 — A Conta da Promessa

Não basta prometer. É preciso explicar como fazer.

.Eleições 2026

Inês Theodoro

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