Enchente repentina na região do Himalaia deixou mortos, centenas de desaparecidos e destruiu casas, estradas, pontes e estruturas de geração de energia
Nepal — 26 de agosto de 2026
Uma gigantesca onda de água, lama e pedras atingiu comunidades do norte do Nepal nesta quarta-feira (26), transformando vilarejos inteiros em um cenário de destruição. Casas foram invadidas ou arrastadas pela correnteza, veículos desapareceram sob a lama e estradas e pontes foram destruídas pela força da enxurrada.
O desastre ocorreu no distrito montanhoso de Rasuwa, próximo à fronteira com o Tibete, depois que uma grande massa de gelo e rochas deslizou para um curso de água e provocou uma inundação repentina. As autoridades investigam a sequência exata dos acontecimentos. Um terremoto de magnitude 4,4 registrado na região pouco antes do desastre é uma das hipóteses consideradas como possível fator desencadeador.
Imagens registradas durante e depois da enchente mostram a dimensão da tragédia. A água carregada de lama avançou rapidamente sobre as áreas habitadas. Em alguns pontos, o que antes eram ruas e terrenos residenciais ficou completamente coberto por uma espessa camada de lama e detritos.
A força da correnteza também atingiu importantes estruturas de infraestrutura. Casas, pontes, estradas e projetos hidrelétricos foram danificados ou destruídos. O acesso a algumas áreas ficou comprometido, dificultando a chegada das equipes de emergência.
Dezenas de mortos e centenas de desaparecidos
O número de vítimas aumentou rapidamente ao longo do dia. Segundo atualização divulgada pelas autoridades nepalesas e reportada pela Reuters, 95 corpos haviam sido recuperados, enquanto 484 pessoas estavam desaparecidas, incluindo 391 estrangeiros e 93 nepaleses. Os números ainda podem mudar à medida que as equipes conseguem chegar às áreas mais afetadas.
No lado tibetano da fronteira, autoridades chinesas também registraram vítimas após o deslizamento atingir a região de Gyirong. Foram confirmadas três mortes e 265 pessoas estavam desaparecidas, segundo informações divulgadas pela imprensa estatal chinesa.
Entre os desaparecidos estão turistas e peregrinos que viajavam pela região, uma rota utilizada por pessoas que seguem em direção ao monte Kailash, no Tibete.
“A água entrou em nossa casa”
Os relatos de sobreviventes revelam a velocidade com que a inundação atingiu as comunidades.
Um sobrevivente identificado pela Reuters como Keshav Prasad Baral, de 68 anos, contou que viu uma enorme massa de lama avançar em direção à sua residência. Segundo seu relato, ele tentou escapar levando a esposa para uma área mais alta, mas ela acabou sendo arrastada pela lama. O homem foi posteriormente resgatado por um helicóptero.
Outro sobrevivente, o trabalhador Bibek Kumal, conseguiu escapar depois de ser levado pela correnteza. Ele acabou ficando preso a uma mangueira e foi posteriormente resgatado.
O cenário encontrado pelas equipes de emergência é de devastação. Em algumas localidades, assentamentos próximos aos rios foram completamente destruídos.
Resgate enfrenta dificuldades
As operações de busca e salvamento enfrentam obstáculos devido ao nível elevado dos rios, às estradas destruídas e à falta de energia elétrica em algumas áreas.
Helicópteros foram mobilizados para transportar sobreviventes e equipes de emergência, mas as condições em determinadas localidades dificultaram até mesmo o pouso das aeronaves. O distrito de Rasuwa permanece entre as áreas mais atingidas.
As autoridades também alertaram moradores que vivem às margens do rio Bhote Koshi para que procurem áreas mais altas. Existe preocupação com a possibilidade de novos deslizamentos e novas ondas de inundação enquanto as condições permanecem instáveis.
Um desastre que atravessou a fronteira
A tragédia não ficou restrita ao território nepalês. Do outro lado da fronteira, no Tibete, o deslizamento atingiu a área de Gyirong, provocando danos em estradas, comunicações e fornecimento de energia.
As autoridades chinesas mobilizaram equipes de resgate, drones e aeronaves para avaliar os danos e localizar pessoas desaparecidas.
No Nepal, enquanto as equipes procuram sobreviventes entre os escombros, famílias continuam aguardando informações sobre parentes desaparecidos.
O desastre deixa uma paisagem marcada pela lama: casas soterradas, veículos cobertos por detritos, pontes destruídas e comunidades inteiras isoladas.
Em poucos minutos, a força da água transformou um trecho do Himalaia em uma das mais graves emergências registradas na região neste ano.
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