Pablo Marçal volta ao radar das pesquisas e movimenta disputa pelo eleitorado de direita em 2026

Empresário aparece entre 4% e 5,2% nos levantamentos analisados e disputa espaço com outros candidatos fora da liderança; posição varia conforme o cenário testado pelos institutos

A corrida pela Presidência da República em 2026 começa a apresentar uma disputa paralela à polarização entre os líderes. Enquanto Lula e Flávio Bolsonaro concentram os maiores percentuais nas pesquisas nacionais, candidatos que aparecem abaixo da liderança disputam uma parcela menor, mas potencialmente estratégica, do eleitorado.

Nesse grupo está Pablo Marçal, que aparece entre o terceiro e o quarto lugar nos levantamentos analisados, com percentuais que variam de 4% a 5,2%.

A diferença de posição não significa necessariamente contradição entre as pesquisas. Os institutos trabalham com cenários, questionários, amostras e períodos de coleta diferentes, e a composição dos nomes apresentados ao eleitor pode alterar a distribuição das intenções de voto.

Marçal entre o terceiro e o quarto lugar

PesquisaLulaFlávio BolsonaroPablo MarçalPosição de Marçal
Datafolha — agosto/202634%35%4%
BTG/Nexus — agosto/202640%34%4%
Veritá — agosto/202639,3%39,1%5,2%

O dado que chama atenção não é apenas a posição ocupada por Marçal no ranking, mas sua capacidade de aparecer com uma fatia mensurável do eleitorado nacional.

Isso ainda não o coloca na disputa direta pela Presidência. Lula e Flávio Bolsonaro permanecem muito à frente. O que os números mostram é a existência de um espaço eleitoral intermediário no qual diferentes candidaturas tentam se consolidar.

O chamado “efeito Marçal”

A presença de Marçal precisa ser analisada com cautela.

Não é possível afirmar, apenas comparando pesquisas diferentes, que ele tenha retirado votos diretamente de Flávio Bolsonaro ou de qualquer outro candidato. Levantamentos com metodologias e cenários distintos não permitem estabelecer esse tipo de causalidade.

O que se observa é que os percentuais atribuídos aos candidatos variam conforme o cenário testado e a presença ou ausência de determinadas alternativas no questionário.

Marçal também atua em um campo eleitoral que apresenta algumas interseções temáticas com candidaturas de direita, especialmente em pautas como antipetismo, conservadorismo, empreendedorismo, livre mercado e crítica à política tradicional.

Essa sobreposição torna relevante acompanhar seu desempenho, mas não permite concluir, por si só, de onde vêm seus votos.

Para identificar migração eleitoral seria necessário recorrer a pesquisas específicas sobre segunda opção de voto, rejeição, preferência partidária e eventual transferência de votos.

A disputa pelo terceiro lugar

A briga pelo terceiro lugar pode parecer secundária diante da distância entre os líderes, mas ganhou importância na fotografia atual da eleição.

Candidatos como Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Pablo Marçal ocupam faixas próximas em determinados levantamentos e representam alternativas diferentes para eleitores que não estão necessariamente definidos entre os dois principais polos.

Nesse cenário, alguns pontos percentuais podem fazer diferença.

Um candidato que consiga transformar uma faixa de 4% ou 5% em um patamar significativamente maior poderá alterar a composição do primeiro turno.

Por enquanto, entretanto, os dados não permitem afirmar que Marçal esteja em trajetória de crescimento. O que existe é uma presença mensurável nos levantamentos considerados.

Por que Marçal aparece em algumas listas e em outras não?

A explicação está, em boa parte, na própria metodologia das pesquisas.

Um levantamento pode testar determinado conjunto de candidatos, enquanto outro apresenta uma lista diferente. A inclusão ou retirada de nomes modifica o universo de escolhas oferecido ao entrevistado.

Por isso, dizer simplesmente que “Marçal está em quarto lugar” pode ser impreciso.

A formulação mais adequada é:

Pablo Marçal aparece em quarto lugar em alguns levantamentos e chega ao terceiro em outros, dependendo do cenário testado.

Essa diferença é importante porque impede que o ranking seja tratado como uma classificação absoluta da eleição.

O peso de 4% ou 5% em uma eleição polarizada

Embora 4% ou 5% estejam muito abaixo dos percentuais dos líderes, essa faixa pode adquirir importância política caso a disputa pelo segundo turno seja apertada.

Se Lula e Flávio Bolsonaro chegarem às últimas semanas do primeiro turno separados por poucos pontos, os candidatos intermediários poderão representar uma parcela relevante do eleitorado ainda disponível para negociação política.

Isso não significa que seus votos serão automaticamente transferidos para um dos finalistas.

O comportamento desses eleitores dependerá da campanha, dos apoios anunciados, da rejeição aos candidatos que avançarem e das circunstâncias políticas do momento.

Mas o tamanho desse eleitorado torna sua disputa relevante.

Marçal é uma ameaça à liderança?

Os números atuais não sustentam essa conclusão.

Pablo Marçal ainda está distante dos dois principais candidatos e não aparece, nos levantamentos analisados, próximo do patamar necessário para disputar diretamente a liderança.

Sua importância está em outro ponto.

Ele ocupa uma faixa do eleitorado capaz de interferir na matemática da eleição, especialmente dentro de um campo político que também abriga outras candidaturas competitivas.

A questão central, portanto, não é afirmar que Marçal já representa uma ameaça aos líderes, mas acompanhar se sua presença permanecerá estável ou se conseguirá avançar durante a campanha.

A eleição tem duas disputas

A fotografia atual permite enxergar duas disputas simultâneas.

A primeira é pela liderança, concentrada principalmente entre Lula e Flávio Bolsonaro.

A segunda ocorre logo abaixo, entre candidatos que tentam conquistar o eleitor que ainda procura uma alternativa ou não está definitivamente alinhado com nenhum dos dois principais polos.

É nessa segunda disputa que Marçal ganha relevância.

Mais do que o lugar ocupado no ranking, o dado a ser acompanhado é a capacidade de Pablo Marçal transformar uma faixa hoje situada entre 4% e 5% em uma candidatura capaz de alterar a composição da disputa.

Por enquanto, os números mostram presença.

As próximas pesquisas dirão se haverá crescimento.

.Eleições 2026

  • Inês Theodoro

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