Candidato ao Governo do Estado afirma que conteúdos atribuídos à inteligência artificial exigem análise especializada antes de serem tratados como verdade ou falsidade
O avanço da inteligência artificial nas eleições de 2026 amplia um desafio para candidatos, imprensa e eleitores: distinguir conteúdos autênticos de imagens, vídeos e áudios produzidos ou modificados digitalmente.
No Tocantins, especulações que circulam nas redes sociais sobre supostas imagens envolvendo a senadora Kátia Abreu levaram o candidato ao Governo do Estado, professor Witer Naves, a questionar a divulgação de acusações sem comprovação técnica.
Em declaração ao Factual, Witer afirmou que identificar se uma imagem foi produzida por inteligência artificial exige conhecimento especializado. Na avaliação dele, transformar uma suspeita em afirmação pode atingir o direito de defesa e prejudicar o ambiente eleitoral.
“A fofoca é uma conversa autoritária”
Em um dos trechos mais contundentes da entrevista, Witer relacionou a disseminação de informações não comprovadas ao direito de defesa de quem é alvo de uma acusação.
“Resumidamente, a fofoca, a conversa que não é verdadeira, ela é uma conversa autoritária. Porque a fofoca, ela não dá o direito do objeto da fofoca se defender.”
O candidato também afirmou que a desinformação pode ultrapassar a disputa entre candidatos e atingir a própria democracia.
“A desinformação, ela gera, ao nosso ver, enquanto candidato ao governo do Estado do Tocantins, um processo de enfraquecimento da democracia no nosso estado, nos processos políticos eleitorais.”
Identificação de IA exige análise especializada
Ao abordar diretamente o uso de inteligência artificial, Witer destacou que a identificação de conteúdos sintéticos não seria uma tarefa simples para o público em geral.
“A população não tem o acesso a todos esses elementos que compõem uma imagem produzida por IA. Ela não tem esse acesso porque essa leitura é muito técnica, é uma pessoa que precisa ter a capacidade técnica para dizer: ‘Olha, essa aqui é uma imagem produzida por IA’.”
A declaração do candidato, entretanto, não constitui uma perícia sobre as imagens que circulam nas redes sociais. Witer não apresentou ao Factual uma análise técnica capaz de confirmar ou descartar a utilização de inteligência artificial nos conteúdos questionados.
O ponto central de sua manifestação é a necessidade de diferenciar suspeita de comprovação antes que uma acusação seja apresentada como fato.
Defesa política de Kátia Abreu
Witer também fez uma defesa política da senadora e classificou como “leviano” o que, segundo ele, ocorreu em relação à imagem pública de Kátia Abreu.
“O que aconteceu nesse sentido é de uma levianidade, na figura e na personificação da senadora Kátia Abreu.”
Segundo o candidato, Kátia Abreu vem realizando uma campanha marcada por dedicação e diálogo com eleitores que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Witer também levantou a possibilidade de que o episódio tenha relação com as dificuldades enfrentadas por mulheres na política.
“Quiçá se, neste aspecto, não existe misoginia na figura da própria senadora Kátia Abreu, né? Que é uma das coisas que as mulheres da política enfrentam em todo o país.”
A afirmação representa a avaliação política de Witer sobre o episódio e não uma conclusão decorrente de investigação independente.
Trajetória política
Durante a entrevista, o candidato também destacou aspectos da trajetória pública de Kátia Abreu e citou sua atuação na busca por recursos, investimentos e iniciativas relacionadas à pesquisa agropecuária no Tocantins.
“Ela incentivou, ela trouxe recursos, ela trouxe financiamento, ela trouxe ciência, porque ela trouxe a Embrapa para cá.”
A referência faz parte da defesa política apresentada pelo candidato e não constitui elemento de comprovação sobre a autenticidade ou eventual manipulação das imagens mencionadas nas redes sociais.
IA entra no debate eleitoral
A discussão sobre as imagens envolvendo Kátia Abreu expõe uma questão que deve ganhar importância durante a campanha de 2026.
A inteligência artificial permite criar e modificar conteúdos digitais com níveis cada vez maiores de realismo. Ao mesmo tempo, afirmar que determinada imagem foi produzida por IA também exige elementos capazes de sustentar essa conclusão.
O caso, portanto, coloca em evidência uma fronteira cada vez mais importante no ambiente digital: a diferença entre suspeita, acusação e evidência.
Para Witer, candidatos, imprensa e usuários das redes sociais precisam ter responsabilidade diante da velocidade com que conteúdos são compartilhados.
Para o eleitor, o desafio é separar informação comprovada de especulação antes de formar sua opinião ou compartilhar determinado conteúdo.
No caso específico das imagens envolvendo Kátia Abreu, a manifestação de Witer representa um posicionamento político e um alerta sobre os riscos da desinformação, mas não substitui uma análise técnica capaz de determinar a origem dos arquivos.
A questão permanece aberta à verificação.
O Factual acompanha o caso e considera fundamental que conteúdos questionados sejam submetidos a critérios verificáveis, garantindo tanto o direito de resposta quanto o acesso do eleitor à informação confiável.





