Governo mira fraudes bilionárias: entenda o projeto que acaba com desconto associativo em aposentadorias


Em uma das mudanças mais profundas na legislação previdenciária desde 2019, o Senado aprovou o projeto que proíbe qualquer desconto de mensalidade associativa diretamente na aposentadoria ou pensão do INSS — mesmo com autorização prévia do segurado. A proposta surge após denúncias de fraudes que desviaram bilhões de aposentados em todo o país.

A decisão agora segue para sanção presidencial e já provoca forte debate entre governo, entidades de aposentados e especialistas em crédito consignado.


O escândalo que detonou a mudança

Operações conjuntas da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União revelaram um esquema sofisticado: entidades criadas apenas no papel autorizavam, junto ao INSS, descontos mensais supostamente autorizados por aposentados — que nunca haviam se filiado.

A investigação estima que mais de R$ 6,3 bilhões tenham sido retirados indevidamente de benefícios previdenciários entre 2019 e 2024.

Para o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, o golpe foi “uma máquina industrial de drenar dinheiro de idosos vulneráveis”.


O que muda na prática com o novo projeto

Fim dos descontos associativos no INSS

  • Não será mais permitido descontar mensalidades de associações, clubes de aposentados, sindicatos ou entidades similares direto do benefício.
  • A regra vale mesmo com autorização do segurado.
  • Entidades terão que cobrar por boleto, PIX ou outro meio — e não mais via INSS.

Devolução rápida em caso de fraude

  • Se houver cobrança indevida, a entidade terá 30 dias para devolver o valor.
  • Se não devolver, o INSS paga ao aposentado e depois cobra da entidade — sem usar dinheiro da Seguridade Social.

Sequestro de bens e investigação mais dura

  • Autoriza o sequestro imediato de bens de suspeitos de envolvimento no esquema.
  • A medida pode ocorrer sem aviso prévio, por ordem judicial.
  • O INSS passa a usar auditorias e cruzamento de dados para localizar vítimas.

Consignado ficará mais rígido

O projeto também fecha brechas no crédito consignado, um dos mercados financeiros mais sensíveis do país.

Como vai funcionar agora:

  • Para autorizar um empréstimo, será exigida biometria (digital ou facial) + assinatura eletrônica ou autenticação de múltiplos fatores.
  • Cada contratação bloqueia automaticamente novas operações, exigindo nova autorização.
  • Reclamações poderão ser feitas presencialmente ou online, com biometria em todas as agências.

Contratos antigos continuam válidos — mas novas contratações ou refinanciamentos já entram no novo padrão.


CMN pode assumir controle dos juros

Um dos pontos mais controversos transfere do Conselho Nacional de Previdência Social para o Conselho Monetário Nacional (CMN) a definição do teto de juros do consignado.

A mudança foi aprovada, mas senadores do governo admitem que esse trecho tem “forte possibilidade de veto”.


O que dizem os senadores

  • Rogério Marinho, relator:
    “Estamos protegendo idosos de associações fantasmas que nunca prestaram serviço algum.”
  • Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo:
    “Há entidades sérias, históricas. Mas surgiram outras que foram simplesmente criadas para roubar aposentados.”

Por que a decisão é considerada histórica

  1. Protege diretamente a renda de 39 milhões de aposentados e pensionistas.
  2. Ataca o maior foco de reclamações do INSS nos últimos anos.
  3. Fecha brechas usadas por golpistas e entidades fraudulentas.
  4. Redesenha o modelo de cobrança de associações no Brasil.
  5. Enfraquece um esquema de décadas baseado em descontos invisíveis.

.http://jornalfactual.com.br

  • Inês Theodoro

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