Dor que une: famílias lançam movimento em SP em busca de desaparecidos

Um ato realizado neste sábado, em São Paulo, marcou o lançamento de um movimento nacional que reúne famílias em busca de pessoas desaparecidas. O encontro, carregado de emoção e histórias de luta, deu voz a mães, pais e irmãos que transformaram a dor da ausência em mobilização coletiva.

Reunidos na Praça da Sé, familiares de desaparecidos ergueram cartazes, exibiram fotos e compartilharam relatos que revelam o drama de quem vive na incerteza diária. A iniciativa surge com o objetivo de dar visibilidade ao tema, pressionar autoridades por políticas públicas mais eficazes e oferecer apoio mútuo a quem enfrenta essa realidade.

“Não é apenas o desaparecimento de uma pessoa. É como se uma parte da nossa vida fosse arrancada todos os dias. Estamos aqui porque não podemos nos calar”, disse uma das organizadoras, que busca pelo filho desaparecido há mais de três anos.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 80 mil pessoas desaparecem por ano no país. Para os familiares, o movimento representa uma tentativa de romper com a invisibilidade dessas estatísticas e transformar números em rostos, nomes e histórias.

O ato contou com a participação de organizações de direitos humanos e representantes de entidades que atuam na defesa da memória e da verdade. Também foram realizadas rodas de conversa, apresentações culturais e momentos de silêncio em homenagem aos desaparecidos.

O movimento, segundo os organizadores, pretende expandir-se para outras capitais e criar uma rede nacional de apoio e denúncia. “A nossa esperança é que essa união fortaleça a busca por respostas e que ninguém mais se sinta sozinho diante de uma dor tão cruel”, afirmou outra participante.

Mais do que um protesto, o ato em São Paulo se transformou em um símbolo de resistência e esperança. Uma dor que une, mas que também inspira a lutar por justiça e por reencontros que ainda podem acontecer.http://jornalfactual.com.br

  • Inês Theodoro

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