Dengue, Covid e gripe: hospitais enfrentam “tripla circulação” de vírus

Imagem: Vanderlei Almeida/AFP e Sílvio Avila/HCPA…

Aumento simultâneo de doenças preocupa médicos e pressiona unidades de saúde em diversas regiões do país

Hospitais, UPAs e postos de saúde vivem um novo cenário de alerta com o avanço simultâneo de dengue, Covid-19 e gripe. A chamada “tripla circulação” de vírus vem aumentando a procura por atendimento médico e acendendo preocupação entre especialistas devido à semelhança dos sintomas e ao risco de agravamento em pacientes mais vulneráveis.

Febre alta, dores no corpo, tosse, cansaço extremo, dor de cabeça e dificuldade para respirar estão entre os sintomas mais relatados nas emergências. O problema é que muitos desses sinais aparecem nas três doenças, dificultando diagnósticos rápidos e aumentando a pressão sobre profissionais da saúde.

Em algumas cidades, unidades hospitalares já registram crescimento no número de internações, principalmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.


Sintomas parecidos dificultam diagnóstico

Médicos alertam que a confusão entre os sintomas pode atrasar o tratamento correto.

Enquanto a dengue costuma provocar dores intensas no corpo e atrás dos olhos, gripe e Covid podem apresentar maior comprometimento respiratório. Ainda assim, há muitos casos em que os sintomas se misturam.

Especialistas recomendam atenção principalmente quando houver:

  • febre persistente;
  • falta de ar;
  • manchas pelo corpo;
  • queda de pressão;
  • dores intensas;
  • cansaço extremo.

O diagnóstico precoce pode ser decisivo para evitar complicações graves.


Hospitais pressionados

O aumento simultâneo das doenças provoca impacto direto nas emergências públicas e privadas.

Profissionais relatam:

  • superlotação;
  • demora no atendimento;
  • falta de leitos;
  • sobrecarga das equipes médicas;
  • aumento da procura por exames laboratoriais.

A preocupação é que novas ondas respiratórias coincidam com períodos de maior circulação do mosquito da dengue, ampliando ainda mais a pressão sobre o sistema de saúde.


Vacinação ainda preocupa

Especialistas também alertam para a baixa procura por vacinas contra gripe e Covid-19 em parte da população.

Muitos pacientes deixaram de manter o calendário vacinal atualizado nos últimos anos, aumentando o risco de complicações e internações.

No caso da dengue, autoridades reforçam a importância da prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, eliminando recipientes com água parada dentro de casas e terrenos.


Crianças e idosos estão entre os mais vulneráveis

Os grupos considerados de maior risco seguem sendo:

  • idosos;
  • crianças pequenas;
  • gestantes;
  • pessoas com doenças cardíacas;
  • diabéticos;
  • pacientes imunossuprimidos.

Nesses casos, uma infecção aparentemente simples pode evoluir rapidamente para quadros graves.


Especialistas pedem atenção aos primeiros sinais

Médicos orientam que pessoas com sintomas persistentes procurem atendimento médico e evitem automedicação.

A recomendação também inclui:

  • hidratação constante;
  • uso de máscara em caso de sintomas respiratórios;
  • repouso;
  • atualização vacinal;
  • combate ao mosquito transmissor da dengue.

Alerta silencioso

A convivência simultânea entre dengue, Covid e gripe mostra que o sistema de saúde ainda enfrenta reflexos de epidemias recentes e desafios estruturais antigos.

Enquanto hospitais tentam absorver o aumento da demanda, especialistas reforçam que prevenção e diagnóstico rápido continuam sendo as principais armas para evitar um agravamento ainda maior do cenário.

Porque, diante da circulação de múltiplos vírus ao mesmo tempo, um simples sintoma pode esconder .algo muito mais sério.

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Inês Theodoro

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