Brasil esquecido: milhares vivem em cidades sem banco, cartório ou hospital

Quando o hospital mais próximo está a 120 km, distância vira desigualdade.

Levantamento revela municípios onde moradores precisam viajar horas para acessar serviços essenciais — um retrato silencioso da desigualdade estrutural

Em pleno século XXI, enquanto capitais discutem cidades inteligentes e digitalização total de serviços, parte da população brasileira ainda enfrenta obstáculos dignos de décadas passadas. Dados recentes do IBGE mostram que centenas de municípios não possuem infraestrutura mínima como agências bancárias, cartórios oficiais ou hospitais com atendimento contínuo.

Nessas localidades, tarefas simples — abrir uma conta, registrar um filho ou fazer um exame médico — podem exigir deslocamentos de dezenas ou até centenas de quilômetros. Em algumas regiões, especialmente no Norte e no semiárido nordestino, moradores dependem de transporte irregular ou caronas para chegar à cidade mais próxima com estrutura básica.

Distância que vira exclusão

Especialistas em políticas públicas apontam que a ausência desses serviços não é apenas logística: é um fator direto de desigualdade social. Sem banco, por exemplo, moradores ficam limitados ao dinheiro físico ou dependem de correspondentes bancários, que não oferecem todos os serviços. A falta de cartório dificulta registros civis e pode atrasar benefícios sociais. Já a inexistência de hospital obriga pacientes a buscar atendimento em cidades vizinhas, o que pode ser fatal em emergências.

Municípios invisíveis nos mapas do investimento

Um dos problemas centrais é que políticas de expansão de serviços costumam priorizar regiões com maior densidade populacional e retorno econômico mais rápido. Pequenos municípios ficam fora do radar de investimentos públicos e privados, criando um ciclo vicioso: não recebem serviços porque são pequenos — e continuam pequenos porque não têm serviços.

Soluções improvisadas

Para lidar com a carência, muitas comunidades criam alternativas informais: escritórios compartilhados para emissão de documentos, transporte comunitário para consultas médicas e até campanhas locais para custear viagens de pacientes.

O risco de aprofundar o abismo

Pesquisadores alertam que, sem políticas direcionadas, a tendência é de agravamento da disparidade regional. A digitalização de serviços públicos ajuda, mas não resolve tudo: grande parte dessas áreas também enfrenta acesso precário à internet, o que limita a inclusão digital.


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  • Inês Theodoro

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