Palmas (TO) — 25 de setembro de 2026
Seis candidatos ao Governo do Tocantins participaram nesta sexta-feira (25) do debate promovido pela TV Norte. O encontro colocou em discussão diferentes propostas para saúde, segurança, tributação, desenvolvimento econômico e gestão fiscal.
Participaram Ataídes Oliveira (Novo), Du Pereira (DC), Laurez Moreira (PSD), Professora Dorinha (União Brasil), Vicentinho Júnior (PSDB) e Professor Witer Naves (PSOL/Rede). Siqueira Campos Júnior (Democrata), que também disputa o Governo do Estado, não participou.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, o debate ocorreu a nove dias da votação.
Saúde: integração versus regionalização
Dorinha e Laurez apresentaram propostas com pontos de aproximação, mas com ênfases diferentes.

Dorinha defendeu uma estrutura de planejamento que integre Estado, municípios e parcerias dentro do SUS. Durante o debate, afirmou que a fila de atendimento especializado em Araguaína havia sido zerada e citou 87 projetos e recursos destinados ao combate à violência contra a mulher.
Questionada sobre um caso extremo relacionado à falta de atendimento médico, respondeu:
“Eu posso falar das minhas ações, é delas que eu posso falar.”
Em seguida, acrescentou:
“Eu sou mãe e provavelmente faria a mesma coisa que ela, porque eu já morei em uma cidade com meus filhos pequenos e a gente ficou um ano sem médico.”
Laurez, por sua vez, defendeu a regionalização da saúde e o uso de consórcios intermunicipais para descentralizar exames e consultas especializadas, reduzindo a concentração de atendimentos no Hospital Geral de Palmas (HGP).
A diferença apresentada no debate está principalmente no método: Dorinha enfatiza integração e planejamento da rede; Laurez, descentralização e regionalização.
Na prática, ambas as estratégias dependem de articulação entre Estado e municípios, estrutura disponível e recursos para manutenção dos serviços.
Segurança: estrutura, tecnologia ou inteligência?

Três abordagens diferentes apareceram na discussão sobre segurança pública.
Du Pereira defendeu a ampliação da capacidade do sistema prisional e o fortalecimento das delegacias no interior, priorizando estrutura física e presença territorial.
Vicentinho Júnior apresentou o uso de tecnologia, incluindo reconhecimento facial, associado ao fortalecimento da investigação policial.
Witer Naves priorizou inteligência e integração de informações para o enfrentamento do crime organizado, incluindo o rastreamento de recursos financeiros relacionados às atividades criminosas.

São propostas baseadas em estratégias diferentes de atuação do Estado e que envolvem custos distintos.
A ampliação de presídios e delegacias envolve construção, servidores, manutenção e custeio permanente. Sistemas de reconhecimento facial dependem de aquisição, infraestrutura, manutenção e regras para tratamento dos dados. Estruturas de inteligência exigem pessoal especializado, tecnologia e integração de informações.
No debate, essas propostas foram apresentadas sem detalhamento de custos e cronogramas de execução.
Economia e contas públicas: onde está a conta?

Na discussão econômica, Witer Naves defendeu a redução do ICMS dos combustíveis para 17% e criticou incentivos concedidos a empresas quando, segundo sua argumentação, esses benefícios não chegariam necessariamente ao preço final.
A proposta abre uma discussão sobre o impacto de eventual redução da arrecadação e sobre a forma de compensação das receitas estaduais.
Laurez apresentou outro eixo: a manutenção da estabilidade fiscal e da responsabilidade na gestão do orçamento como condição para ampliar a capacidade de atração de investimentos.
Ataídes Oliveira defendeu redução de custos e estímulo ao setor produtivo, com destaque para o agronegócio.

Vicentinho Júnior e Dorinha também abordaram infraestrutura e articulação institucional, mas, nos trechos analisados, não apresentaram detalhamento sobre o impacto fiscal dessas propostas.
O ponto comum entre as diferentes posições é a necessidade de identificar seus efeitos sobre o orçamento.
Reduzir uma alíquota tributária pode afetar a arrecadação. Ampliar serviços públicos aumenta despesas. Incentivos fiscais representam renúncia de receita. E investimentos em infraestrutura exigem recursos para implantação e manutenção.
É nesse ponto que as propostas precisam deixar o discurso e encontrar o orçamento.
O que o debate mostrou — e o que ainda falta
O encontro apresentou diferenças de prioridade entre os candidatos:
- Saúde: integração e planejamento da rede, defendidos por Dorinha, e regionalização e consórcios, apresentados por Laurez;
- Segurança: estrutura física, defendida por Du Pereira; tecnologia, destacada por Vicentinho; e inteligência e integração de informações, defendidas por Witer;
- Economia: redução de imposto, apresentada por Witer; equilíbrio fiscal e atração de investimentos, defendidos por Laurez; e redução de custos e estímulo ao setor produtivo, defendidos por Ataídes.
Mas o debate também expôs uma questão que costuma ficar em segundo plano nas discussões eleitorais: a viabilidade financeira das propostas.
Uma redução de ICMS precisa indicar o impacto esperado na arrecadação.
A ampliação de presídios, delegacias ou hospitais regionais exige investimento e despesa permanente.
Sistemas tecnológicos têm custos de implantação, operação e manutenção.
Consórcios intermunicipais dependem de pactuação, responsabilidades definidas e recursos compartilhados.
Por isso, a comparação entre propostas não termina quando acaba o programa.
As perguntas que permanecem são objetivas:
Quanto custa?
De onde vem o dinheiro?
Existe previsão orçamentária?
É necessária mudança na legislação?
Quem executa?
Qual é o prazo?
Como o resultado será medido?
O debate mostrou o que os candidatos dizem que pretendem fazer.
A apuração jornalística precisa avançar sobre como pretendem fazer.
É nesse ponto que discurso, orçamento, legislação e capacidade de execução precisam se encontrar.
Informação com contexto. Jornalismo com responsabilidade.
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