Fábio Ribeiro coloca propostas para o Tocantins no centro da disputa pelo Senado

Candidato da Rede defende transparência nas emendas, fortalecimento da agricultura familiar, desburocratização, modernização do Estado e mudanças na política de segurança; propostas agora entram no campo da cobrança sobre execução e resultados

A disputa por uma das duas vagas do Tocantins no Senado em 2026 começa a ganhar contornos mais programáticos à medida que os candidatos apresentam suas ideias para o mandato. Entre os nomes que vêm ocupando esse espaço está Fábio Paulino Ribeiro (Rede), que tem utilizado entrevistas, podcasts e programas políticos para apresentar posições sobre temas que vão da gestão pública à agricultura familiar, passando por transparência, economia, meio ambiente e segurança.

Em diferentes participações públicas, Ribeiro tem procurado construir uma imagem de candidatura associada à fiscalização dos recursos públicos, modernização da administração e revisão de regras que considera excessivamente burocráticas.

Mais do que declarações de campanha, porém, as propostas colocam uma questão central para o eleitor: como essas ideias poderiam ser transformadas em ações concretas dentro das atribuições de um senador?

Emendas parlamentares sob cobrança por transparência

Um dos temas recorrentes nas declarações de Fábio Ribeiro é a utilização das emendas parlamentares.

O candidato defende maior transparência, fiscalização da aplicação dos recursos e acompanhamento da execução das emendas, com a preocupação de que o dinheiro público efetivamente resulte em benefícios para a população.

A crítica também alcança a utilização política dos recursos e o que Ribeiro classifica como uma lógica de “balcão de negócios” na política.

A proposta toca em um dos pontos mais sensíveis do atual debate sobre o Congresso Nacional: não basta indicar recursos; é preciso acompanhar sua aplicação e verificar se o resultado entregue corresponde ao dinheiro destinado.

Para um eventual mandato, a cobrança que se coloca é objetiva: quais mecanismos de fiscalização Ribeiro pretende utilizar? Haveria critérios públicos para escolha das destinações? Como o eleitor poderia acompanhar a execução dos recursos?

Agricultura familiar como eixo de desenvolvimento

Outro ponto apresentado pelo candidato é o fortalecimento da agricultura familiar.

Em entrevista ao programa Rumo ao Senado, Ribeiro defendeu maior acesso dos pequenos produtores a crédito e incentivos públicos, argumentando que a agricultura familiar possui importância econômica e também estratégica para a segurança alimentar.

A proposta busca colocar o pequeno produtor em uma posição de maior equilíbrio diante dos mecanismos de incentivo destinados ao setor produtivo.

No entanto, transformar a ideia em política pública exige definir instrumentos.

Qual seria a fonte dos recursos? Quais programas federais poderiam ser ampliados? O senador atuaria por meio de legislação, orçamento, articulação com o Executivo ou fiscalização de programas existentes?

São perguntas que ajudam a transformar uma promessa eleitoral em uma proposta mensurável.

Menos burocracia, mais produção

Na área econômica, Ribeiro tem defendido a revisão de leis e normas que considera desconectadas da realidade produtiva.

O argumento apresentado pelo candidato é que regras excessivas podem dificultar a atividade econômica, enquanto a geração de riqueza e empregos depende da capacidade da própria sociedade de produzir, empreender e trabalhar.

A desburocratização aparece, portanto, como uma das bandeiras de sua agenda.

Mas há uma diferença importante entre defender “menos burocracia” e apresentar uma política de desburocratização.

Para que a proposta possa ser avaliada pelo eleitor, será necessário identificar quais normas deveriam ser modificadas, quais setores seriam beneficiados, quais custos poderiam ser reduzidos e quais salvaguardas seriam mantidas para evitar que a simplificação resulte em perda de controle ou fiscalização pública.

Tecnologia para mudar a relação com o Estado

A modernização da administração pública também aparece entre as propostas apresentadas por Ribeiro.

O candidato defende maior utilização de tecnologia, redução da burocracia e melhoria da eficiência dos serviços públicos, associando a transformação digital a uma administração mais próxima da população.

A ideia acompanha uma tendência já presente em diferentes níveis de governo: utilizar sistemas digitais para reduzir etapas, acelerar serviços e permitir que o cidadão acompanhe processos sem depender exclusivamente do atendimento presencial.

O desafio, neste caso, é transformar a defesa genérica da tecnologia em metas concretas.

Quais serviços deveriam ser digitalizados? Quanto seria necessário investir? Como seriam protegidos os dados dos cidadãos? E quais indicadores seriam utilizados para medir se a modernização realmente melhorou o serviço público?

Segurança: crítica à atuação federal e foco no crime organizado

Na área de segurança pública, Ribeiro também apresentou posicionamentos que provocaram repercussão.

Ao comentar a atuação da Polícia Rodoviária Federal, o candidato criticou determinadas abordagens e defendeu uma atuação mais concentrada no enfrentamento ao crime organizado.

A declaração abre uma discussão que ultrapassa a campanha eleitoral: qual deve ser o papel das forças federais nas rodovias e como o combate ao crime organizado deve ser estruturado em um estado de dimensões territoriais como o Tocantins?

Para um candidato ao Senado, a questão ganha relevância porque o Congresso participa diretamente da discussão legislativa e orçamentária relacionada à segurança pública.

O meio ambiente dentro da agenda econômica

As declarações de Ribeiro também procuram aproximar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

O candidato defende a necessidade de conciliar produção, geração de empregos e proteção de recursos naturais, incluindo a discussão sobre florestas, rios e resíduos sólidos.

No Tocantins, onde agronegócio, infraestrutura, recursos hídricos e conservação ambiental convivem em permanente tensão, essa combinação pode se tornar um dos temas mais relevantes da campanha.

A questão que permanece é como equilibrar os diferentes interesses sem transformar a defesa do desenvolvimento ou da preservação em apenas um discurso eleitoral.

O desafio agora é transformar discurso em plano

O conjunto das entrevistas permite identificar uma linha relativamente clara na candidatura de Fábio Ribeiro: mais transparência na utilização dos recursos públicos, fortalecimento da agricultura familiar, redução da burocracia, modernização administrativa, desenvolvimento econômico, participação social e mudanças na abordagem da segurança pública.

São temas capazes de produzir um debate relevante sobre o futuro do Tocantins.

.Eleições 2026

Inês Theodoro

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