Professor Witer defende industrialização do Tocantins e destaca papel da FIETO na geração de empregos

Candidato afirma que o Estado precisa deixar de ser apenas fornecedor de commodities e propõe política de desenvolvimento baseada em crédito, mercado, qualificação, contrapartida e geração de valor

O desafio de transformar o Tocantins de um grande produtor de matérias-primas em um Estado capaz de agregar valor à própria produção está entre as prioridades defendidas pelo candidato ao Governo do Estado, Professor Witer.

Em entrevista ao Factual, o candidato afirmou que o Tocantins precisa avançar na industrialização de suas cadeias produtivas, especialmente nos setores do agronegócio e da mineração, para evitar que a riqueza gerada no Estado seja transferida para outras regiões antes de retornar, muitas vezes, sob a forma de produtos industrializados.

Segundo o professor Witer, a saída de matérias-primas sem processamento representa perda de oportunidades econômicas para o próprio Tocantins.

“Nós precisamos agregar mais valor a toda a riqueza que existe dentro do nosso Estado. Quando a matéria-prima sai daqui e vai para outro Estado, isso não gera renda, não gera tecnologia e, evidentemente, os impostos também acabam não ficando aqui para nós.”

A proposta faz parte do plano de governo denominado “O Tocantins de Toda a Nossa Gente”, que, segundo o candidato, estabelece o desenvolvimento econômico e industrial como um dos pilares para a promoção do bem-estar da população tocantinense.

Desenvolvimento regional e cadeias produtivas

A estratégia apresentada prevê a identificação das potencialidades econômicas de cada região do Estado e a criação de condições para fortalecer cadeias produtivas completas dentro do território tocantinense.

Para isso, professor Witer cita políticas voltadas ao crédito, infraestrutura, energia, logística, inovação e qualificação profissional. A ideia é criar condições para que os produtos gerados no campo, na mineração e em outras atividades econômicas possam passar por processos de transformação dentro do próprio Tocantins.

“Não se trata apenas de produzir mais. Trata-se de fazer com que uma parte maior da riqueza produzida aqui permaneça aqui”, defendeu.

O candidato afirma que o governo deverá atuar na atração de novas indústrias, principalmente aquelas relacionadas às vocações econômicas regionais, mas também pretende estimular setores ligados às novas tecnologias.

FIETO no debate sobre a indústria

Ao apresentar sua proposta, Witer mencionou dados e análises divulgados pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO) para discutir os desafios enfrentados pelo setor industrial.

Segundo o candidato, os números analisados por sua equipe indicam crescimento da produção industrial, mas sem avanço proporcional na geração de empregos e com dificuldades relacionadas à oferta de crédito.

Para Witer, esse cenário revela uma contradição que precisa ser enfrentada pelo poder público: a produção pode crescer sem que os benefícios desse crescimento sejam distribuídos na mesma proporção para os trabalhadores e para a economia local.

“Estamos precisando entender essa contradição: a produção cresce, mas o emprego não cresce junto e a atração de investimentos está estagnada”, afirmou.

Nesse contexto, a FIETO aparece como uma das principais interlocutoras do setor industrial no Estado, especialmente nas discussões sobre competitividade, qualificação profissional, inovação e desenvolvimento das empresas tocantinenses.

A proposta apresentada por Witer prevê que o governo amplie o diálogo com o setor produtivo para identificar gargalos, definir prioridades e criar condições para que o crescimento industrial resulte em mais investimentos e oportunidades de trabalho.

Incentivo fiscal com contrapartida

Um dos principais pontos da proposta é a mudança na lógica dos incentivos públicos oferecidos às empresas.

Witer afirma que não pretende adotar uma política baseada apenas na concessão de benefícios fiscais para atrair indústrias. Para ele, qualquer incentivo concedido pelo poder público deve estar vinculado a resultados concretos para a população.

“Nós não queremos oferecer simplesmente incentivo fiscal e esperar que uma empresa venha. O incentivo público precisa ter uma contrapartida.”

Entre as exigências que deverão estar associadas aos benefícios concedidos pelo Estado estão a geração de empregos, a qualificação dos trabalhadores, a inovação, a responsabilidade ambiental e o compromisso com o desenvolvimento local.

A proposta parte de uma regra que o candidato considera central para sua política econômica: se há benefício público, deve haver retorno público.

“Porque incentivo sem emprego é renúncia fiscal”, afirmou.

Na avaliação do candidato, o Estado não pode abrir mão de arrecadação ou oferecer vantagens econômicas sem exigir, em troca, a geração de postos de trabalho, renda e desenvolvimento regional.

Cinco instrumentos para a política industrial

A proposta defendida por Witer está estruturada em cinco instrumentos considerados fundamentais para o desenvolvimento econômico do Tocantins.

O primeiro é o crédito produtivo, com políticas que facilitem o acesso de empreendedores e empresas a recursos para investimento e expansão das atividades.

O segundo é o fortalecimento do mercado para as empresas tocantinenses, criando condições para que negócios instalados no Estado possam ampliar sua participação nas cadeias econômicas.

O terceiro ponto é a qualificação profissional, preparando trabalhadores para as novas demandas da indústria, da tecnologia e das cadeias produtivas.

O quarto instrumento é o incentivo público com contrapartida, estabelecendo compromissos claros para empresas beneficiadas por recursos ou incentivos do Estado.

E o quinto eixo é a geração de emprego, que, segundo o candidato, deve ser um dos principais critérios para avaliar o retorno das políticas de incentivo.

A riqueza precisa permanecer no Tocantins

A proposta apresentada pelo candidato busca, em síntese, alterar a posição do Tocantins dentro de suas próprias cadeias econômicas.

Em vez de atuar predominantemente como fornecedor de commodities e matérias-primas, a estratégia é estimular a instalação de indústrias capazes de processar, transformar e agregar valor à produção local.

Para Witer, o objetivo final é garantir que uma parcela maior da riqueza gerada pelo agronegócio, pela mineração e por outros setores econômicos permaneça no Estado.

“Nós não precisamos só produzir. Nós precisamos fazer com que a riqueza produzida no nosso Estado fique na mão da nossa gente tocantinense.”

Ao resumir sua proposta, o candidato aponta cinco palavras como a base de sua política de desenvolvimento: crédito, mercado, qualificação, contrapartida e emprego.

A promessa é construir uma política industrial em que o Estado participe da atração e do estímulo aos investimentos, mas estabeleça como princípio que os recursos públicos precisam resultar em benefícios mensuráveis para a população.

Nesse modelo, o diálogo com o setor industrial e com instituições como a FIETO passa a ser apresentado como parte da estratégia para transformar a produção de matérias-primas em uma economia capaz de gerar mais valor, renda, qualificação e empregos dentro do próprio Tocantins.

“Se existe benefício público, precisa existir retorno público”, concluiu.

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Inês Theodoro

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