Com STF em confronto, Nikolas leva pressão sobre Alcolumbre para a base eleitoral do senador

Deputado convocou manifestação em Macapá contra o presidente do Senado enquanto ministros protagonizavam embates durante julgamento envolvendo Alexandre de Moraes

O Supremo Tribunal Federal viveu nesta terça-feira (15) uma das sessões mais tensas do ano. Enquanto o plenário discutia os desdobramentos das apurações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ministros trocaram acusações e protagonizaram confrontos públicos.

Em determinado momento, André Mendonça e Gilmar Mendes entraram em choque durante a discussão sobre a condução do caso. Moraes também confrontou Mendonça e classificou como política a tentativa de vinculá-lo a uma investigação. Mendonça respondeu chamando a afirmação de “mentira”.

No fim da sessão, Flávio Dino pediu vista e interrompeu o julgamento. O placar provisório estava em 4 a 3 pela tramitação separada dos casos de Moraes e Mendonça. O voto de Dino, que havia defendido a análise conjunta, deixou de ser computado após o pedido de vista.

O resultado foi a suspensão, e não uma decisão definitiva sobre a abertura de investigação contra Moraes.

A pressão mudou de endereço

Enquanto o Supremo expunha suas divergências, Nikolas Ferreira mantinha outra frente de pressão: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

A estratégia começou a ganhar forma no 7 de Setembro, quando o deputado anunciou que levaria uma manifestação ao Amapá para cobrar Alcolumbre pelo andamento dos pedidos de impeachment contra Moraes. Seis dias depois, em 13 de setembro, Nikolas participou do ato em Macapá e puxou o coro de “Fora, Davi”.

A escolha do Amapá não foi casual. Alcolumbre é senador pelo Estado e exerce a presidência do Senado. O protesto, portanto, levou a cobrança para o território político do senador.

A intenção declarada por Nikolas era pressionar o presidente do Senado a dar andamento aos pedidos de impeachment de ministros do Supremo.

STF, Senado e rua

A movimentação colocou três arenas em conexão.

No STF, ministros discutem os próprios procedimentos da Corte e as condições para o prosseguimento das apurações relacionadas a Moraes e Mendonça.

No Senado, Alcolumbre continua no centro da pressão política sobre os pedidos de impeachment. O presidente da Casa afirmou que existem 109 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo no Congresso e disse que o volume não é normal. Até agora, porém, não sinalizou que colocará um desses pedidos em votação.

Nas ruas, Nikolas tenta transformar a insatisfação com o Supremo em mobilização política e direcioná-la contra quem possui uma atribuição institucional dentro do Senado.

É nesse ponto que a disputa ganha uma dimensão eleitoral.

O ato de Macapá não teve como alvo apenas Alexandre de Moraes. O principal destinatário político da manifestação foi Alcolumbre.

A pressão sobre Alcolumbre

O cálculo político é perceptível: se a cobrança ocorre diretamente na base eleitoral do presidente do Senado, o debate deixa de estar restrito ao ambiente de Brasília e passa a produzir exposição pública também no Estado pelo qual ele foi eleito.

Isso, porém, não significa que a mobilização determine o comportamento de Alcolumbre.

A decisão sobre a tramitação de pedidos de impeachment segue submetida às regras e aos procedimentos do Senado. A manifestação funciona como instrumento de pressão política; seu efeito institucional ainda precisa ser demonstrado.

O episódio revela, entretanto, uma mudança importante no terreno da disputa.

A crise envolvendo Moraes deixou de estar confinada ao Supremo. Passou pelo Senado e chegou às ruas.

E, enquanto o julgamento no STF permanece suspenso pelo pedido de vista de Flávio Dino, a pressão política encontrou outro palco: a base eleitoral de quem controla a porta de entrada dos pedidos de impeachment.

.Eleições 2026

Inês Theodoro

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