Diferença de 13.412 votos no primeiro turno é menor que as margens produzidas individualmente em alguns dos principais municípios do Tocantins; mapa eleitoral mostra territórios consolidados, disputas equilibradas e quase 70 mil votos de um candidato que ficou fora da segunda etapa
Palmas (TO), 7 de outubro de 2026 — O resultado do primeiro turno deixou uma fotografia incomum da disputa pelo Governo do Tocantins. Dorinha terminou na primeira colocação, com 386.260 votos (45,52%), enquanto Vicentinho obteve 372.848 (43,94%). A diferença entre os dois foi de 13.412 votos, aproximadamente 1,6 ponto percentual.
A distância é pequena diante do tamanho do eleitorado que participou da votação, mas o número, sozinho, não explica o segundo turno.
Quando os resultados são distribuídos pelos 139 municípios, aparece uma eleição formada por territórios de forte concentração de votos, grandes colégios eleitorais com diferenças expressivas e cidades onde os dois candidatos terminaram praticamente empatados.
O mapa do primeiro turno, portanto, não funciona como uma previsão do segundo.
Ele mostra onde cada candidato construiu sua vantagem — e onde essa vantagem foi pequena.
A capital deu uma vantagem importante a Dorinha
Palmas foi um dos principais pontos de vantagem de Dorinha.
A candidata obteve 71.143 votos, contra 64.665 de Vicentinho. A diferença foi de 6.478 votos.
Isso significa que apenas a margem produzida na capital correspondeu a quase metade da diferença registrada entre os dois candidatos em todo o Estado.
Mas o mapa também mostra que a vantagem não se repete de maneira uniforme entre os maiores municípios.
Porto Nacional produziu uma diferença ainda maior para Vicentinho
Em Porto Nacional, Vicentinho registrou 18.801 votos, contra 11.284 de Dorinha.
A diferença foi de 7.517 votos.
Ou seja: a vantagem de Vicentinho em um único município foi maior que a vantagem de Dorinha em Palmas.
O dado ajuda a mostrar por que olhar apenas para o percentual estadual pode esconder a geografia real da disputa.
Araguaína e Gurupi mostram outro desenho
Em Araguaína, Vicentinho teve 40.080 votos, enquanto Dorinha ficou com 37.608. Diferença de 2.472 votos.
Em Gurupi, ocorreu o movimento inverso: Dorinha obteve 17.553 votos, contra 14.584 de Vicentinho, uma diferença de 2.969 votos.
Os dois municípios reforçam a existência de bases eleitorais regionalmente distintas.
Mas também mostram um limite importante da leitura territorial: vencer uma cidade não significa necessariamente dominar uma região inteira, e a votação absoluta de cada município depende do tamanho do eleitorado local.
Há municípios em que os dois praticamente empataram
O primeiro turno também produziu resultados extremamente próximos.
Em Sandolândia, Vicentinho teve 47,83% dos votos válidos, contra 47,67% de Dorinha. A diferença foi de apenas 0,16 ponto percentual.
Em Fátima, Vicentinho alcançou 47,51%, contra 46,69% de Dorinha — diferença de 0,82 ponto.
Em Rio Sono, Dorinha registrou 46,68%, enquanto Vicentinho teve 45,82%. Diferença de 0,86 ponto.
Em Tupiratins, Vicentinho ficou com 48,63%, contra 47,49% de Dorinha — diferença de 1,14 ponto percentual.
São exemplos de municípios nos quais o primeiro turno produziu uma fotografia muito mais equilibrada.
Isso não significa que esses locais necessariamente decidirão o segundo turno. Significa apenas que a diferença entre os dois candidatos foi pequena naquele eleitorado específico.
Os quase 70 mil votos que ficaram fora da segunda etapa
O terceiro elemento do mapa é a votação de Laurez Moreira.
O candidato terminou o primeiro turno com 69.967 votos, ou 8,24% dos votos válidos.
À primeira vista, esse contingente poderia parecer suficiente para alterar completamente a relação de forças entre os dois candidatos que avançaram.
Mas existe uma diferença entre votos que ficaram fora do segundo turno e votos disponíveis para transferência.
Eles não são a mesma coisa.
O eleitor que votou em Laurez não está obrigado a repetir sua escolha por um dos dois candidatos restantes. Pode mudar de opção, votar em branco, anular ou não comparecer.
Em Dueré, por exemplo, Laurez obteve 1.510 votos, equivalentes a 56,07% dos votos válidos. O resultado mostra uma concentração territorial importante de sua votação, mas não permite antecipar o comportamento desses eleitores no segundo turno.
O que o mapa permite afirmar
Os dados do primeiro turno permitem identificar:
- onde Dorinha abriu maiores vantagens;
- onde Vicentinho produziu suas maiores margens;
- quais grandes municípios concentraram diferenças expressivas;
- onde os dois ficaram próximos;
- e onde se concentrou a votação de candidatos que não avançaram.
O que os dados não permitem afirmar, sozinhos, é para onde irão os votos dos candidatos eliminados ou qual candidato será beneficiado pela reorganização do eleitorado.
Essa distinção é fundamental.
O mapa do primeiro turno é um raio-X da eleição. Não é uma previsão do segundo turno.
A disputa agora muda de natureza
No primeiro turno, os candidatos disputavam um eleitorado fragmentado entre várias opções.
No segundo, apenas dois nomes permanecem na disputa.
Isso muda a matemática eleitoral, mas também muda o comportamento esperado das campanhas: votos de candidatos eliminados passam a ser objeto de disputa, enquanto os grandes colégios eleitorais continuam concentrando uma parcela relevante do eleitorado.
A diferença estadual de 13.412 votos permanece como referência do primeiro turno.
Mas ela não determina a próxima votação.
A nova urna será uma nova fotografia.
E será nela que ficará claro se as vantagens territoriais observadas no primeiro turno permaneceram, diminuíram ou mudaram de lado.





