Reconstrução dos arquivos estaduais indica concentração do lote em seis UFs durante os 50 minutos em que a divulgação nacional ficou sem nova versão
Palmas (TO), 6 de outubro de 2026 — O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou nesta terça-feira (6) que uma contenção no processamento de dados interrompeu por cerca de 50 minutos a divulgação nacional dos resultados para presidente durante o primeiro turno. Segundo o Tribunal, o problema atingiu um dos módulos utilizados na divulgação pela internet, enquanto a visualização estadual continuou funcionando. O TSE afirma que a ocorrência não afetou a apuração nem a totalização dos votos.
A explicação oficial confirma, em linhas gerais, o comportamento que já havia sido identificado na análise dos arquivos públicos preservados durante a apuração. Esses arquivos permitem avançar uma etapa: localizar territorialmente o volume de seções que aparece no salto seguinte da camada nacional.
O arquivo nacional de presidente (EA14) registrou 323.539 seções às 19h14min08 de 4 de outubro. Na atualização seguinte, às 20h04min39, o contador passou para 424.153. A diferença é de 100.614 seções, incorporadas ao arquivo nacional em um intervalo de 50 minutos e 31 segundos.
Os arquivos estaduais acompanhados na mesma base, porém, apresentavam comportamento diferente.
Às 19h14min08, a soma dos 28 arquivos estaduais chegava a 353.630 seções. Às 20h04min39, alcançava 424.493.
A sequência é compatível com a explicação divulgada pelo TSE de que a interrupção atingiu a visualização nacional, enquanto a camada estadual continuou apresentando resultados.
A questão seguinte é territorial: de onde veio o volume reconstruído nesse intervalo?
Seis UFs concentram 68,8% do delta territorial
A reconstrução territorial publicada pela Arvor, a partir da soma dos 28 arquivos estaduais, aponta que seis UFs — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Pernambuco — concentram 70.056 das 101.754 seções que compõem o delta reconstruído, o equivalente a 68,8% desse total.
São Paulo responde por 25.262 seções do delta reconstruído; Minas Gerais, por 13.278; Rio de Janeiro, por 10.997; Bahia, por 8.723; Ceará, por 6.478; e Pernambuco, por 5.318.
Por que os números não são iguais?
A reconstrução territorial utiliza um retrato aproximado das versões estaduais geradas até cerca de 19h08, enquanto o EA14 nacional utilizado na comparação tem timestamp específico de 19h14min08.
Por isso, os dois cálculos partem de bases temporais diferentes.
O delta territorial reconstruído é de 101.754 seções. Já o salto observado diretamente no arquivo nacional é de 100.614 seções. A diferença entre as duas bases é de 1.140 seções.
Essa diferença não constitui uma nova medição do salto nacional. Ela resulta da comparação entre um retrato territorial aproximado e duas versões específicas do arquivo nacional.
A sequência dos arquivos
| Horário | Camada nacional EA14 | Soma dos arquivos estaduais |
|---|---|---|
| ≈19h08 | — | 322.739 |
| 19h14min08 | 323.539 | 353.630 |
| 20h04min39 | 424.153 | 424.493 |
No retrato aproximado de 19h08, a soma dos arquivos estaduais era de 322.739 seções. Poucos minutos depois, às 19h14min08, o EA14 nacional registrava 323.539, enquanto a soma dos arquivos estaduais já chegava a 353.630.
Às 20h04min39, o arquivo nacional passou a registrar 424.153 seções. Na mesma referência temporal, a soma dos arquivos estaduais estava em 424.493.
O que os arquivos permitem afirmar é, portanto, que as camadas não apresentaram o mesmo comportamento no intervalo analisado.
O fenômeno também aparece dentro dos estados
A distribuição territorial não significa apenas que os estados mais populosos naturalmente produziram mais seções.
Na reconstrução publicada, algumas UFs apresentam participação expressiva do delta em relação ao próprio universo de seções. Entre os percentuais calculados estão 29,2% no Rio de Janeiro, 27,3% no Ceará, 25,7% em Alagoas, 25,5% em Minas Gerais, 24,8% em Pernambuco, 24,6% na Bahia e 24,4% em São Paulo.
Esses percentuais não explicam a causa do comportamento observado. Servem para dimensionar a distribuição do fenômeno dentro de cada território.
O dado territorial, portanto, acrescenta uma nova camada à apuração: o salto nacional não aparece como um volume abstrato. A reconstrução dos arquivos estaduais permite identificar onde estava concentrada uma parcela significativa desse delta.
O que a explicação oficial responde — e o que permanece em aberto
A manifestação do TSE esclarece que a interrupção ocorreu em um módulo da etapa de divulgação dos resultados e que a visualização estadual não foi afetada. O Tribunal também afirma que a apuração e a totalização dos votos seguiram normalmente.
Os arquivos analisados permitem documentar a dimensão temporal e territorial desse episódio, mas não permitem, isoladamente, reconstruir todos os detalhes do mecanismo técnico que produziu a interrupção.
Também não é possível, apenas a partir desses arquivos, determinar em qual etapa interna do processamento ocorreu a contenção mencionada pelo Tribunal.
O que está documentado é mais específico:
O arquivo nacional EA14 passou de 323.539 para 424.153 seções entre 19h14min08 e 20h04min39, enquanto os arquivos estaduais continuaram sendo gerados e avançando no mesmo período.
A reconstrução territorial indica ainda que 70.056 das 101.754 seções do delta reconstruído estavam concentradas em seis UFs.
A questão que permanece para a próxima etapa da apuração é mais específica do que a pergunta inicial: como a contenção descrita pelo TSE se relaciona, tecnicamente, com a diferença observada entre as camadas nacional e estaduais?
Essa resposta exige documentação técnica sobre o funcionamento do fluxo de processamento, consolidação e publicação dos resultados.





