Entidade afirma que seleção dos quatro participantes levou em conta pesquisas registradas no TSE com data de corte em 13 de agosto; Fábio Ribeiro havia questionado restrição e defendido maior pluralidade
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Tocantins (Fecomércio-TO) explicou ao Jornal Factual os critérios utilizados para definir os participantes do Encontro com Candidatos ao Governo do Tocantins 2026, realizado nesta terça-feira (15).
Segundo a entidade, a escolha foi definida previamente e levou em consideração a posição dos candidatos em pesquisas de intenção de voto identificadas e documentadas pela própria Fecomércio, com data de corte em 13 de agosto de 2026.
Foram convidados quatro candidatos: Professora Dorinha, Vicentinho Júnior, Laurez Moreira e Ataídes de Oliveira. A Fecomércio informou que, nos levantamentos considerados comparáveis em que os nomes apareciam no mesmo cenário, Professor Witer Naves ocupava a quinta posição.
A entidade afirma que não estabeleceu percentual mínimo de intenção de voto nem calculou uma média própria entre os levantamentos. O critério utilizado, segundo a resposta enviada ao Factual, foi a posição dos candidatos nas pesquisas consideradas.
Quais pesquisas foram consideradas
A Fecomércio citou quatro levantamentos como referência:
- VÓPE/Jornal Primeira Página — registro TO-07990/2026;
- Paraná Pesquisas — registro TO-06833/2026;
- Instituto Lucro Ativo — registro TO-00437/2026;
- VÓPE/Jornal Primeira Página — registro TO-01056/2026.
O levantamento da Paraná Pesquisas, por exemplo, foi realizado entre 21 e 24 de julho e registrou, no cenário estimulado para o Governo, Dorinha com 34,4%, Vicentinho Júnior com 33,5%, Laurez Moreira com 10,1%, Ataídes de Oliveira com 5,8% e Witer Naves com 0,8%. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número TO-06833/2026.
Já a pesquisa VÓPE/Jornal Primeira Página registrada sob o número TO-07990/2026 foi realizada entre 11 e 16 de julho e também incluiu cinco nomes no cenário para o Governo.
Fecomércio diz que formato não era debate eleitoral
Outro ponto esclarecido pela entidade é a natureza do encontro.
A Fecomércio afirma que o evento não foi concebido como um debate eleitoral, mas como um talk show institucional, com mediação, perguntas temáticas, tempos equivalentes e sem confronto direto entre os participantes.
Segundo a entidade, a participação de todas as candidaturas registradas tornaria a programação extensa e reduziria o tempo destinado à apresentação das propostas. Por isso, foi estabelecido previamente um critério objetivo para limitar o número de participantes.
A Fecomércio informou ainda que, em 2 de setembro, representantes das assessorias dos quatro candidatos convidados participaram de uma reunião de alinhamento. Na ocasião, segundo a entidade, foram apresentados o regulamento, a dinâmica, os tempos de manifestação, o sistema de rodízio, as regras de participação e as orientações operacionais.
O caso de Witer Naves
Sobre Witer Naves, a Fecomércio afirmou que ele não foi convidado para integrar a programação porque aparecia na quinta posição nos levantamentos comparáveis considerados pela entidade.
Witer esteve no local durante o encontro, mas acompanhou a programação na plateia.
De acordo com a Fecomércio, sua presença não alterou a composição previamente definida, uma vez que toda a organização do evento havia sido estruturada para quatro participantes.
A crítica de Fábio Ribeiro
A explicação da Fecomércio ocorre após o candidato ao Senado Fábio Ribeiro questionar publicamente a restrição de participação em eventos eleitorais promovidos pela entidade.
Ribeiro criticou o que considerou uma falha na organização e defendeu que fóruns promovidos por entidades representativas tenham critérios claros e equilibrados para a participação dos concorrentes.
Com a resposta enviada ao Factual, a Fecomércio tornou público o critério utilizado: posição nas pesquisas selecionadas, com data de corte em 13 de agosto.
A entidade também ressaltou que a escolha teve caráter exclusivamente organizacional e que não representa preferência, apoio ou manifestação político-partidária em favor ou contra qualquer candidatura.
O que fica para a apuração
A resposta da Fecomércio esclarece o critério declarado pela entidade, mas também abre espaço para uma verificação documental: conferir individualmente os quatro levantamentos citados, seus cenários, datas, candidatos incluídos e respectivas posições.
Esse cruzamento é relevante porque pesquisas eleitorais representam fotografias de determinados momentos e podem utilizar metodologias e cenários diferentes. A própria pesquisa da Paraná Pesquisas, por exemplo, apresenta metodologia, período de campo e margem de erro próprios.
Assim, o ponto objetivo agora não é mais saber qual foi o critério utilizado. A Fecomércio respondeu.
A questão que permanece para a apuração jornalística é verificar como esse critério foi aplicado aos quatro levantamentos citados e se a classificação informada pela entidade corresponde aos documentos registrados e divulgados até a data de corte.
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