Dorinha e Vicentinho começam o segundo turno separados por apenas 13.412 votos. Municípios estratégicos, os quase 70 mil votos de Laurez e mais de 216 mil abstenções redesenham a disputa pelo Palácio Araguaia.
Palmas, 8 de outubro de 2026 — Professora Dorinha terminou o primeiro turno com 386.260 votos (45,52%). Vicentinho Júnior somou 372.848 (43,94%). A diferença é de apenas 13.412 votos.
Laurez Moreira ficou em terceiro, com 69.967 votos. Outros 216.827 eleitores aptos não compareceram às urnas.
A partir de agora, a pergunta deixa de ser simplesmente quem ganhou mais municípios.
Dorinha venceu em 82 cidades, Vicentinho em 56 e Laurez apenas em Dueré. Mas número de municípios não decide eleição.
Votos decidem.
E, principalmente, as margens de vitória e derrota em cada território.
Uma vantagem de alguns milhares de votos em uma cidade grande pode pesar mais na conta estadual do que uma vitória expressiva em um município de pequeno eleitorado. É nesse ponto que o mapa do primeiro turno começa a revelar onde a disputa pode mudar.
O que os grandes colégios mostram
Os maiores centros eleitorais já produziram diferenças que ajudam a dimensionar o tamanho da batalha:
- Palmas: Dorinha +6.478 votos
- Porto Nacional: Vicentinho +7.517
- Paraíso do Tocantins: Vicentinho +6.497
- Gurupi: Dorinha +2.969
- Araguaína: Vicentinho +2.472
Somadas, essas margens mostram que a disputa estadual pode ser influenciada por movimentos relativamente pequenos em poucos grandes colégios.
É por isso que o segundo turno não deve ser lido apenas pelo número de cidades conquistadas por cada candidato.
Os municípios que podem mudar a conta
A seleção abaixo não é uma previsão do resultado. São territórios estratégicos escolhidos a partir de três fatores: tamanho do eleitorado, diferença entre os dois finalistas e presença de votos que ainda podem sofrer alterações no segundo turno.
| Município | Dorinha | Vicentinho | Diferença | Leitura estratégica |
|---|---|---|---|---|
| Porto Nacional | 11.284 | 18.801 | Vicentinho +7.517 | Maior vantagem absoluta de Vicentinho |
| Palmas | 71.143 | 64.665 | Dorinha +6.478 | Maior colégio e principal base de Dorinha |
| Paraíso do Tocantins | 8.208 | 14.705 | Vicentinho +6.497 | Margem próxima de metade da diferença estadual |
| Gurupi | 17.553 | 14.584 | Dorinha +2.969 | Laurez teve votação expressiva |
| Araguaína | 37.608 | 40.080 | Vicentinho +2.472 | Segundo maior colégio, com margem apertada |
| Colinas do Tocantins | 9.115 | 6.968 | Dorinha +2.147 | Vitória relevante em colégio regional |
| Araguatins | 7.682 | 6.307 | Dorinha +1.375 | Vantagem importante no Bico do Papagaio |
| Miracema do Tocantins | 5.282 | 3.947 | Dorinha +1.335 | Diferença superior a mil votos |
| Guaraí | 6.448 | 5.434 | Dorinha +1.014 | Margem que pode sofrer alterações |
| Dianópolis | 4.347 | 4.021 | Dorinha +326 | Exemplo de disputa extremamente apertada |
O ponto central não é afirmar que essas cidades necessariamente decidirão a eleição.
É observar que mudanças relativamente pequenas nas margens desses municípios podem produzir efeitos relevantes na soma estadual.
Dueré: o território de Laurez
Dueré oferece um caso particularmente interessante.
Foi o único município em que Laurez Moreira terminou à frente dos dois finalistas, com 1.510 votos (56%), contra 663 de Dorinha e 480 de Vicentinho.
O município funciona como uma espécie de laboratório do segundo turno: mostra um eleitorado que escolheu majoritariamente um candidato que não estará na disputa final.
Mas há uma ressalva fundamental:
voto não é patrimônio de candidato.
Os quase 70 mil votos de Laurez não se transferem automaticamente para ninguém. O mesmo vale para os votos dos demais candidatos eliminados.
O segundo turno será uma disputa pelo convencimento desses eleitores — e também pela capacidade de mobilizar quem não votou no primeiro turno.
A armadilha dos 70 mil e das abstenções
Os 69.967 votos de Laurez representam um contingente muito superior à diferença de 13.412 votos que separou os dois primeiros colocados.
Isso não significa que esses votos serão transferidos em bloco.
Da mesma forma, as 216.827 abstenções não podem ser tratadas como um estoque de votos disponíveis para qualquer candidatura.
São eleitores que precisarão ser mobilizados, convencidos ou, eventualmente, permanecerão fora da disputa.
É justamente essa combinação — votos dos candidatos eliminados, abstenção, rejeição, alianças e capacidade de mobilização — que transforma o segundo turno em uma eleição diferente da primeira.
A eleição será decidida pelas margens
Não é preciso virar o mapa inteiro do Tocantins.
Basta ampliar algumas vantagens, reduzir outras e conquistar parcelas do eleitorado ainda em disputa.
Com apenas 13.412 votos separando os dois candidatos, poucos milhares — ou até algumas dezenas de votos em diferentes municípios — podem alterar a matemática estadual.
O segundo turno não começa do zero.
Começa com o mapa deixado pelo primeiro turno.
Nesse mapa estão as grandes vantagens, as disputas apertadas, os votos de Laurez Moreira e dos demais candidatos eliminados, além de mais de 216 mil eleitores que não compareceram às urnas.
A pergunta, portanto, não é apenas quem venceu mais cidades.
É onde as margens podem mudar.
E é nesses territórios estratégicos que a eleição tocantinense começa, de fato, a ser redesenhada.





