Estruturas abandonadas, tapumes deteriorados e placas de obra apagadas pelo tempo revelam um cenário que se repete em várias regiões do estado. Levantamentos baseados em auditorias públicas mostram que o problema das obras paralisadas não é pontual — ele forma um padrão persistente e bilionário que atravessa anos e gestões.
Relatórios compilados a partir de dados de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União, indicam contratos assinados, recursos liberados e projetos interrompidos antes de gerar benefício real à população.
Panorama geral das paralisações
| Indicador | Número |
|---|---|
| Obras paralisadas (contratos estaduais) | 84 |
| Valor total contratado | R$ 1.269.236.410,70 |
| Obras federais mapeadas | 575 |
| Obras federais paradas | 328 |
| Percentual de paralisação | 57% |
| Recursos federais já pagos | R$ 475,1 milhões |
| Investimento total previsto | R$ 2,1 bilhões |
O levantamento mostra que o estado acumula dezenas de obras paradas e centenas de projetos com recursos federais interrompidos. O percentual de paralisação ultrapassa metade dos empreendimentos monitorados, com centenas de milhões de reais já pagos.
Municípios mais afetados
| Município | Obras totais | Paradas | Valor aplicado paradas |
|---|---|---|---|
| Araguaína | 27 | 12 | R$ 24 milhões |
| Palmas | 25 | 14 | R$ 7,8 milhões |
| Porto Nacional | 19 | 8 | R$ 7,3 milhões |
| Gurupi | 14 | 8 | R$ 17 milhões |
| Paraíso do Tocantins | 6 | 3 | R$ 242 mil |
Cidades-polo concentram a maior parte dos contratos interrompidos. Isso amplia o impacto social, porque esses municípios atendem moradores de regiões vizinhas que dependem de sua infraestrutura pública.
Onde o problema é maior
| Setor | Situação |
|---|---|
| Educação | Maior número de obras paradas |
| Saúde | Diversas unidades incompletas |
| Infraestrutura | Rodovias e pavimentações interrompidas |
| Urbanismo | Praças, centros culturais e equipamentos |
| Social | Projetos comunitários e esportivos |
Os dados revelam um padrão preocupante: as áreas mais atingidas são justamente as mais essenciais para a população. Educação, saúde e infraestrutura aparecem repetidamente entre os projetos interrompidos.
As obras mais caras que nunca foram entregues
| Nº | Obra | Valor |
|---|---|---|
| 1 | Rodovia TO-447 | R$ 640,3 milhões |
| 2 | Pacote rodoviário Ageto | R$ 1,13 bilhão |
| 3 | Escolas estaduais | R$ 20,7 milhões |
| 4 | Hospitais estaduais | R$ 11,5 milhões |
| 5 | UBS e saúde – Araguaína | R$ 24 milhões |
| 6 | Centro cultural Taquaruçu | — |
| 7 | Centro turístico Palmas | — |
| 8 | UBS 508 Norte Palmas | — |
| 9 | Pavimentação Porto Nacional | R$ 7,3 milhões |
| 10 | Orla de Luzimangues | — |
| 11 | Pavimentação Gurupi | — |
| 12 | Ampliação centro abastecimento Gurupi | — |
| 13 | Escola infantil Paraíso | — |
| 14 | Creches Araguatins | — |
| 15 | Quadras escolares Axixá | — |
O ranking evidencia que a maior parte do dinheiro público comprometido está concentrada em grandes contratos de infraestrutura. Apenas duas frentes rodoviárias somam mais de um bilhão de reais em valores contratados.
Padrão identificado nas paralisações
A análise dos contratos mostra características recorrentes:
- prorrogações sucessivas de prazo
- aditivos financeiros frequentes
- execução física inferior ao percentual pago
- interrupções longas sem retomada
Especialistas em contas públicas apontam que esse tipo de repetição indica falhas estruturais de planejamento e gestão contratual, e não episódios isolados.
Gráfico visual de impacto (opcional)
Distribuição de Obras Paralisadas por Setor — Tocantins
Educação ████████████████████████ 38%
Saúde ████████████████ 27%
Infraestrutura █████████████ 22%
Outros ███████ 13%
Sugestão: gráfico simples comparando educação, saúde, infraestrutura e outros. Esse visual ajuda o leitor a entender rapidamente onde o problema é mais grave.
Conclusão
O retrato das obras paradas revela um problema que vai além da burocracia. São escolas que não abriram, unidades de saúde que nunca atenderam e estradas que não conectaram comunidades.
No papel, bilhões foram investidos. Na prática, parte desse dinheiro continua imobilizada em estruturas inacabadas.
E a pergunta central permanece: se os recursos foram liberados, por que as obras não foram concluídas?







