O Brasil encerra o ano com a maior edição da campanha Natal Sem Fome desde sua criação. A ação, reforçada pelo Governo Federal, vai beneficiar mais de 2 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade social, por meio da compra e doação de mais de 5 mil toneladas de alimentos provenientes da agricultura familiar.
A iniciativa integra esforços emergenciais de enfrentamento à fome e à insegurança alimentar, com foco na valorização dos pequenos produtores rurais, assentados da reforma agrária, povos tradicionais, quilombolas e agricultores familiares — responsáveis por grande parte dos alimentos consumidos diariamente no país.
Os alimentos adquiridos incluem itens básicos como arroz, feijão, farinha, legumes, frutas, leite em pó e proteínas. A distribuição ocorre por meio de organizações sociais, cozinhas comunitárias, bancos de alimentos e entidades religiosas, alcançando comunidades urbanas e rurais em diferentes regiões do Brasil.
Além do impacto social imediato, a ação fortalece economias locais ao garantir renda aos pequenos produtores, estimular cooperativas e reduzir o desperdício de alimentos.
Dados recentes indicam que milhões de brasileiros ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar, reflexo da desigualdade social, da inflação dos alimentos, do desemprego e dos efeitos das mudanças climáticas sobre a produção agrícola.
A fome não tem data no calendário
O alcance histórico do Natal Sem Fome carrega, junto com a esperança, uma contradição que não pode ser ignorada: por que ações dessa magnitude ainda dependem de datas simbólicas para acontecer?
A fome não surge apenas no fim do ano. Ela atravessa os meses, os governos e as crises. Está presente diariamente nas periferias urbanas, no campo, nas comunidades tradicionais e nas filas por doações.
Campanhas pontuais são essenciais em momentos críticos, mas não substituem políticas públicas contínuas e estruturantes. O combate à fome exige ações permanentes, como:
- compra pública regular de alimentos da agricultura familiar;
- expansão e manutenção de cozinhas comunitárias;
- fortalecimento dos bancos de alimentos;
- integração entre políticas de renda, emprego e segurança alimentar;
- monitoramento constante da insegurança alimentar nos territórios.
Transformar o combate à fome em um evento anual é um risco. O desafio real é torná-lo prioridade permanente, com orçamento, planejamento e continuidade.
O maior Natal Sem Fome da história demonstra que o Brasil tem produção, logística e redes solidárias suficientes. O que falta é fazer com que esse esforço deixe de ser exceção e se torne regra.
Porque a fome não tira férias.
E o direito à alimentação não pode ser sazonal.








