Sede Digital: Comunidades sofrem com o consumo de água da Inteligência Artificial

O avanço acelerado da inteligência artificial está trazendo um efeito colateral silencioso: a tecnologia que promete “salvar o mundo” pode estar acelerando a escassez de água em várias regiões do planeta.

De acordo com dados divulgados pela Associated Press (AP) e estudos da University of California – Riverside, o treinamento de grandes modelos de IA — como os usados por gigantes como Google, Microsoft, Meta e OpenAI — consome milhões de litros de água para resfriar os servidores que processam trilhões de operações por segundo.

Um único treinamento de IA pode gastar até 700 mil litros de água, quantidade suficiente para abastecer 300 casas durante um dia.


O preço ambiental da IA

Os data centers – edifícios cheios de servidores que processam as requisições de IA – esquentam como fornos. Para evitar que os equipamentos superaqueçam, toneladas de água são bombeadas diariamente para sistemas de resfriamento.

Um data center moderno pode consumir a mesma quantidade de água que uma cidade de 30 mil habitantes.

Esse cenário coloca cidades inteiras em um conflito direto: IA ou abastecimento humano?


Casos reais de conflito

Espanha — Catalunha (2024–2025)

Região atingida por uma das piores secas dos últimos 100 anos.

  • Moradores tiveram limitação de água nas casas.
  • Enquanto isso, a Microsoft expandia um data center para IA.
  • Comunidades acusaram a empresa de consumir água potável enquanto a população enfrentava racionamento.

Estados Unidos — Iowa

No município de West Des Moines, onde a Microsoft instalou um enorme complexo de IA:

  • Pesquisadores e moradores relatam o secamento de riachos durante operações de pico.
  • Documentos obtidos pela AP mostram consumo de até 6 milhões de litros de água por dia.

“Eles drenaram nosso rio para treinar inteligência artificial”, declarou um líder comunitário à imprensa local.

Chile — Deserto do Atacama

Local extremamente árido, onde data centers operam próximo a mineradoras de lítio.

  • Líderes locais afirmam que a água está sendo desviada quando a prioridade deveria ser a população.

O futuro preocupa

A International Energy Agency (IEA) alerta que, se nada mudar, o consumo de água e energia dos data centers de IA pode aumentar 10 vezes até 2030.

E com a explosão do uso de ferramentas de IA generativa — como ChatGPT, Gemini e Copilot — o risco é de que os sistemas de resfriamento se tornem insustentáveis.


O que as empresas estão fazendo?

As big techs estão correndo para tentar contornar a crise:

  • Realocação de data centers para regiões frias do planeta.
  • Uso de água não potável ou reciclada em vez de água tratada.
  • Investimentos em resfriamento a ar, sem água.

Mas ambientalistas dizem que as medidas são tardias e insuficientes.

“A IA avança mais rápido do que as regulações ambientais.”
Trecho do estudo da UC Riverside, 2025


A pergunta que fica

Será que estamos trocando rios e ecossistemas por respostas instantâneas?

A revolução da inteligência artificial vem acompanhada de um custo escondido: a sede do mundo digital pode secar o mundo real.

Enquanto o debate não avança, comunidades continuam pagando a conta.

.http://jornalfactual.com.br

  • Inês Theodoro

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