O saldo negativo de R$ 288,47 milhões no início de 2026 não surgiu de forma repentina. Especialistas em finanças públicas são unânimes: déficits desse porte são resultado de acúmulo progressivo de desequilíbrios fiscais, e não de um único evento isolado.
Para compreender o quadro atual, é necessário olhar para três frentes que costumam explicar rombos estaduais.
1. Restos a pagar: a dívida invisível
Governos frequentemente encerram o ano com despesas empenhadas, mas não quitadas. Esses valores — chamados de “restos a pagar” — passam para o exercício seguinte como obrigações já assumidas.
Quando elevados, eles consomem rapidamente o caixa disponível logo no início do ano, criando a impressão de déficit imediato mesmo com arrecadação regular.
2. Crescimento estrutural das despesas
Grande parte do orçamento estadual é composta por gastos obrigatórios:
- folha salarial
- previdência
- contratos continuados
- repasses constitucionais
Essas despesas crescem automaticamente ao longo do tempo. Quando a arrecadação não acompanha esse ritmo, o desequilíbrio aparece.
3. Receita que não cresce no mesmo ritmo
A arrecadação estadual depende fortemente de:
- consumo
- atividade econômica
- repasses federais
Qualquer desaceleração econômica reduz receita real, mesmo que o orçamento previsto seja maior.
O papel da fiscalização
Cabe ao Tribunal de Contas do Estado do Tocantins acompanhar a execução orçamentária e alertar sobre riscos fiscais. Relatórios desse tipo normalmente apontam tendências antes que elas se tornem crises.
A regra que limita gastos
A Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece que governos não podem criar despesas permanentes sem indicar fonte de receita. Quando essa equação se desequilibra, o ajuste acaba sendo inevitável.
Síntese investigativa
O déficit não é apenas um número negativo — é um sintoma.
Ele indica que, em algum ponto da trajetória recente, despesas passaram a crescer mais rápido do que receitas.
A pergunta central deixa de ser quanto é o rombo e passa a ser:
quando ele começou e quem tomou as decisões que levaram a isso.





