Megaoperação Poço de Lobato mira fraude bilionária no setor de combustíveis

Ação conjunta da Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público e forças estaduais investiga grupo que acumula mais de R$ 26 bilhões em dívidas e mantém vínculos com alvos da Operação Carbono Oculto

A Megaoperação Poço de Lobato, deflagrada nesta quinta-feira (27), colocou sob cerco um dos maiores esquemas de fraude fiscal do setor de combustíveis já identificados no país. Coordenada pela Receita Federal, em parceria com Polícia Federal, Ministério Público Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e órgãos estaduais, a ação mira um grupo econômico considerado, hoje, o maior devedor contumaz do Brasil, com dívidas que superam R$ 26 bilhões.

Segundo fontes envolvidas na operação, o grupo investigado é acusado de operar um sofisticado esquema de sonegação, criação de empresas de fachada, lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial, afetando diretamente a concorrência no mercado de combustíveis — um setor historicamente sensível a fraudes tributárias, guerra fiscal e cartelização.

Conexão com a Operação Carbono Oculto

Um ponto que chama atenção dos investigadores é a relação financeira entre o grupo alvo da Poço de Lobato e empresários que foram investigados na Operação Carbono Oculto, deflagrada anteriormente para desmontar redes de fraude na comercialização de créditos de carbono, evasão fiscal e transações internacionais suspeitas.

Essas conexões se dão por meio de transferências bancárias, participação societária cruzada e uso de intermediários que atuavam para mascarar a origem dos recursos, segundo apurações iniciais.

Para os investigadores, essa interligação sugere a existência de um ecossistema paralelo de lavagem de dinheiro, no qual setores distintos — combustíveis, trading, empresas ambientais e serviços financeiros alternativos — se entrelaçam para dispersar capitais ilícitos.

Impacto nacional e risco concorrencial

Autoridades afirmam que a fraude praticada pelo grupo não atinge apenas o caixas da União, mas distorce preços em toda a cadeia de combustíveis, prejudicando distribuidoras regulares e ampliando o risco de formação de monopólios regionais baseados em evasão fiscal.

“Estamos diante de um esquema pensado para drenar recursos públicos e eliminar concorrentes pela via da fraude”, disse uma fonte da Receita envolvida na operação.

Alvos e medidas

A operação cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia e Distrito Federal, além de bloqueio de bens, quebra de sigilos, suspensão de inscrições estaduais e restrições ao funcionamento de distribuidoras suspeitas.

Auditores afirmam que a expectativa é recuperar parte das perdas tributárias e impedir que a atuação do grupo continue a impactar o setor.

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  • Inês Theodoro

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