O Brasil alcança um marco histórico no esporte adaptado ao confirmar sua maior delegação já enviada para uma edição de Jogos Paralímpicos de Inverno. O país terá oito atletas competindo em Milão-Cortina, na Itália, consolidando uma evolução que há poucos anos parecia improvável para uma nação tropical sem tradição em modalidades de neve.
Todos os convocados contam com apoio do Programa Bolsa Atleta, iniciativa federal que tem sido decisiva para ampliar o acesso ao alto rendimento e garantir condições de treinamento, viagens e equipamentos especializados. O incentivo contínuo permitiu que atletas brasileiros passassem a competir com regularidade no circuito internacional e elevassem o nível técnico necessário para alcançar vagas paralímpicas.
Segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro, a presença recorde simboliza não apenas crescimento numérico, mas maturidade esportiva. A entidade destaca que, até pouco tempo atrás, o Brasil participava com delegações mínimas e resultados modestos. Hoje, o cenário é outro: há planejamento de longo prazo, intercâmbio com centros de treinamento estrangeiros e identificação sistemática de talentos.
A classificação ampliada também carrega um peso simbólico. Ela demonstra que políticas públicas consistentes e investimento contínuo podem transformar realidades esportivas consideradas improváveis. Em modalidades disputadas em gelo e neve — ambientes inexistentes no território nacional — o país mostra que estrutura, ciência esportiva e apoio financeiro conseguem superar limitações geográficas.
Mais do que disputar medalhas, a delegação brasileira chega aos Jogos com a missão de consolidar um novo capítulo na história paralímpica nacional: provar que o alto rendimento não depende apenas do clima, mas de estratégia, inclusão e oportunidade.







