Por mais de 25 anos negociado, o acordo histórico assinado neste sábado (17/01/2026) cria uma das maiores zonas de livre comércio do planeta. O Brasil pode ganhar bilhões em exportações — ou repetir o velho erro de vender matéria-prima e comprar tecnologia.
O acordo entre Mercosul e União Europeia, finalmente assinado após décadas de impasses, foi celebrado como vitória diplomática. Mas, por trás dos discursos otimistas, surge uma pergunta incômoda: quem realmente ganha com esse tratado?
Com a promessa de eliminar mais de 90% das tarifas entre os blocos, o Brasil passa a ter acesso preferencial a um mercado de mais de 440 milhões de consumidores europeus. Em troca, abre seu próprio mercado para produtos industriais altamente competitivos vindos da Europa.
O agronegócio brasileiro comemora. A indústria, observa com cautela. O trabalhador, ainda não sabe se verá mais empregos — ou mais fechamentos de fábricas.
O acordo não entra em vigor imediatamente. Ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais e pelo Parlamento Europeu. Mas o caminho já está traçado: o Brasil escolheu apostar no comércio global como motor de crescimento.
A questão é se essa aposta resultará em desenvolvimento real — ou apenas em mais exportação de grãos e carne enquanto importa máquinas, tecnologia e valor agregado.
O acordo pode ser histórico.
Mas a história julgará se ele foi libertação econômica — ou dependência sofisticada








