“Mulheres que mudaram a ciência: descobertas que revolucionaram o mundo e foram ignoradas por décadas.”

Ao longo da história, mulheres realizaram descobertas que revolucionaram a ciência, mesmo enfrentando barreiras sociais, culturais e acadêmicas.

Da revelação da estrutura do DNA à corrida espacial, cientistas ajudaram a transformar a ciência e a tecnologia — muitas vezes sem receber o reconhecimento que mereciam.

Neste sábado, 8 de março de 2026, quando o mundo celebra o International Women’s Day, cresce também a reflexão sobre um capítulo muitas vezes pouco contado da história científica.

Mulheres que fizeram descobertas que mudaram a ciência

Durante séculos, universidades, academias e centros de pesquisa foram ambientes dominados por homens. Em muitos casos, mulheres tiveram acesso limitado à educação ou viram suas descobertas serem atribuídas a colegas masculinos.

Mesmo diante dessas barreiras, diversas cientistas produziram trabalhos que mudaram profundamente o conhecimento humano.

A seguir, alguns exemplos de mulheres cujas descobertas transformaram áreas como genética, física e exploração espacial — ainda que por muito tempo suas contribuições tenham sido pouco reconhecidas.


A cientista que ajudou a revelar o segredo da vida

Entre os casos mais conhecidos está o da pesquisadora britânica Rosalind Franklin.

Na década de 1950, Franklin produziu imagens de difração de raios-X que permitiram compreender a estrutura do DNA. Entre elas estava a famosa Foto 51, considerada essencial para revelar o formato da molécula responsável por carregar as informações genéticas de todos os seres vivos.

Esses dados foram utilizados pelos cientistas James Watson e Francis Crick para desenvolver o modelo da dupla hélice.

Anos depois, os dois receberam o Nobel Prize in Physiology or Medicine, enquanto Franklin não chegou a ser reconhecida em vida.


A descoberta que revolucionou a astrofísica

Outro exemplo marcante é o da astrofísica Jocelyn Bell Burnell.

Em 1967, ainda como estudante de doutorado, ela identificou sinais repetitivos vindos do espaço ao analisar dados de radiotelescópios. Posteriormente, esses sinais foram reconhecidos como pulsares, estrelas de nêutrons extremamente densas que giram em altíssima velocidade.

A descoberta revolucionou o estudo do universo.

Apesar da importância do trabalho, o Nobel Prize in Physics foi concedido apenas ao seu orientador, Antony Hewish.


A física que ajudou a explicar a fissão nuclear

A cientista austríaca Lise Meitner teve papel fundamental na compreensão da fissão nuclear, processo em que o núcleo de um átomo se divide liberando enorme quantidade de energia.

A descoberta abriu caminho para avanços na produção de energia nuclear e também influenciou acontecimentos importantes da história do século XX.

Mesmo assim, o Nobel Prize in Chemistry foi concedido apenas ao químico Otto Hahn.


Estrelas além do tempo que o mundo quase silenciou

Décadas depois, outro capítulo importante da história científica veio à tona com o reconhecimento do trabalho de três matemáticas negras da agência espacial norte-americana NASA.

As cientistas Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson realizaram cálculos fundamentais que permitiram o sucesso de missões espaciais durante a corrida espacial dos anos 1960.

Suas histórias ganharam reconhecimento mundial com o filme Hidden Figures, conhecido no Brasil como Estrelas Além do Tempo.


Cientistas brasileiras que também mudaram a história

Embora muitas vezes pouco lembradas fora do meio acadêmico, o Brasil também teve mulheres que marcaram profundamente o desenvolvimento da ciência.

Uma delas foi Bertha Lutz, bióloga formada pela Universidade de Paris e pesquisadora do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Além da carreira científica, ela foi uma das principais vozes na defesa da participação feminina na ciência, na política e na educação.

Outra referência é a geneticista Mayana Zatz, professora da Universidade de São Paulo e considerada uma das maiores especialistas da América Latina em doenças genéticas.

Seus estudos ajudaram a ampliar o entendimento sobre doenças hereditárias e contribuíram para avanços importantes na medicina.


Uma descoberta brasileira após décadas de pesquisa

Bertha Lutz e Mayana Zatz: cientistas brasileiras que ajudaram a ampliar o espaço das mulheres na pesquisa científica.

A pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, dedicou mais de duas décadas a uma linha de pesquisa que pode representar um avanço significativo no tratamento de lesões medulares.

Ao lado de uma equipe de biólogos, a cientista trabalhou por cerca de 25 anos no desenvolvimento da polilaminina, substância que demonstrou potencial para reverter danos causados por lesões na medula espinhal.

Durante grande parte desse período, o trabalho foi conduzido de forma discreta dentro do ambiente acadêmico, seguindo o rigor científico necessário para validação dos resultados.

Agora, com resultados considerados promissores, a pesquisadora afirma que chegou o momento de tornar o estudo mais conhecido.

“Depois de tantos anos de trabalho, não temos mais o direito de sermos conservadores. Precisamos divulgar os resultados e mostrar o potencial dessa descoberta”, afirmou a cientista em entrevistas sobre a pesquisa.

A descoberta pode abrir novos caminhos para tratamentos regenerativos do sistema nervoso — um dos maiores desafios da medicina moderna.


Reconhecer o passado para inspirar o futuro

Muitos desses episódios fazem parte do chamado Matilda Effect, fenômeno que descreve a tendência histórica de minimizar ou atribuir a homens descobertas feitas por mulheres.

Hoje, universidades e instituições científicas têm revisitado a história para reconhecer essas contribuições.

Mais do que corrigir injustiças, esse reconhecimento ajuda a inspirar novas gerações de meninas a seguir carreira na ciência.

Afinal, por trás de muitas das maiores descobertas da humanidade existem histórias de mulheres que desafiaram limites — mesmo quando o mundo ainda não estava preparado para reconhecê-las.

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Inês Theodoro

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