Há crimes que não deixam marcas imediatas.
Não fazem barulho, não geram sirenes, não provocam prisões em flagrante.
Mas corroem o país por dentro — lentamente, de forma estrutural, quase irreversível.
O que está sendo feito com as riquezas do Brasil é exatamente isso.
A política que abriu as portas do cofre
Não é exagero, não é retórica inflamada, não é teoria conspiratória.
É um modelo político deliberado, executado por governos, parlamentares e tecnocratas que decidiram que o patrimônio público é um problema a ser vendido, não um ativo estratégico a ser protegido.
Esses políticos — eleitos para defender o interesse nacional — optaram por algo mais simples e lucrativo: entregar.
Entregar empresas construídas com décadas de investimento público.
Entregar setores vitais.
Entregar soberania em nome de uma suposta eficiência que nunca chega para quem mais precisa.
Quando o mercado assume o comando do Estado
O poder financeiro da Faria Lima não governa formalmente o país.
Mas dita a agenda.
A lógica é sempre a mesma:
- o Estado é “ineficiente”;
- o mercado é “moderno”;
- privatizar é “inevitável”.
Esse discurso não nasce do interesse público — nasce do interesse financeiro.
E alguns nomes se tornaram símbolos desse processo, não por perseguição ideológica, mas por protagonismo assumido. Quando líderes do mercado afirmam publicamente ter participado da privatização das maiores estatais do país, isso não é bravata — é declaração de poder.
O problema não é o empresário existir.
O problema é o Estado se comportar como corretor de seus interesses.
Água, energia e infraestrutura não são ações de bolsa
Quando um governo entrega:
- a água, ele entrega controle sobre a vida;
- a energia, ele entrega controle sobre o desenvolvimento;
- a infraestrutura, ele entrega o futuro.
Não existe privatização neutra nesses setores.
Existe escolha.
E a escolha feita no Brasil tem sido clara:
o lucro acima do direito.
O resultado é igualmente claro:
- tarifas sobem,
- investimentos seguem a lógica do retorno, não da necessidade,
- regiões pobres continuam invisíveis,
- e o Estado perde capacidade de planejamento.
Isso não é modernização.
É abandono estratégico.
O maior escândalo é a normalização
Talvez o aspecto mais grave não seja a venda em si, mas o silêncio ao redor dela.
Privatizações bilionárias ocorrem sem plebiscito, sem debate profundo, sem que a população compreenda plenamente o que está sendo perdido. O discurso técnico serve como cortina para esconder uma verdade incômoda:
👉 O Brasil está sendo tratado como ativo financeiro, não como nação.
E ativos, quando não rendem o suficiente, são descartados.
Não é erro. É projeto.
Não estamos diante de decisões equivocadas tomadas por engano.
Estamos diante de um projeto ideológico que acredita que o Estado deve ser mínimo para o povo e máximo para o mercado.
Esse projeto:
- socializa prejuízos,
- privatiza lucros,
- enfraquece o país,
- e concentra poder.
Os políticos que o executam não podem alegar ignorância.
Eles sabem exatamente o que estão fazendo.
A conta chega — sempre chega
Países que abriram mão de seus setores estratégicos não ficaram mais soberanos.
Ficaram mais dependentes.
Não ficaram mais eficientes.
Ficaram mais desiguais.
O Brasil ainda está a tempo de escolher outro caminho.
Mas o tempo não é infinito.
Porque riquezas vendidas não voltam.
E soberania perdida não se recompra.
Nomear o problema é o primeiro passo
Não se trata de demonizar empresários nem santificar o Estado.
Trata-se de defender o óbvio:
📣 O patrimônio do Brasil pertence ao povo brasileiro — não a governos de ocasião, nem a interesses financeiros.
Quando políticos jogam fora as riquezas do país, não estão fazendo gestão.
Estão decidindo quem manda e quem paga.
E a história costuma ser implacável com quem confunde mandato popular com autorização para vender o futuro.








