Maduro, drogas, poder e o silêncio conveniente da política internacional
Há mais de duas décadas, a Venezuela aparece em relatórios internacionais como rota estratégica do narcotráfico. Nos últimos anos, porém, o foco das acusações passou a atingir diretamente o presidente Nicolás Maduro e membros do alto escalão do governo.
Os Estados Unidos acusam formalmente Maduro de participar de uma conspiração para facilitar o tráfico internacional de cocaína, com proteção estatal, corrupção institucional e cooperação com organizações criminosas. Maduro nega.
O chamado “Cartel de los Soles”, frequentemente citado, não é reconhecido nos próprios autos como um cartel formal nos moldes clássicos, mas como um sistema de corrupção e patronagem envolvendo setores do Estado venezuelano.
Um dos principais delatores é Hugo “El Pollo” Carvajal, ex-chefe da inteligência militar, que se declarou culpado por crimes ligados ao narcotráfico nos EUA. Ele afirmou que redes do regime protegiam o tráfico e que recursos ilícitos sustentavam alianças políticas. Contudo, até hoje não há provas públicas de financiamento direto de partidos estrangeiros com dinheiro do narcotráfico.
A tese de que a droga teria sido usada como arma política também permanece mais como interpretação estratégica do que como prova documental.
O ponto mais incômodo não está apenas nas acusações, mas no silêncio internacional. Durante anos, denúncias graves circularam enquanto governos mantinham acordos, relações diplomáticas e interesses econômicos com Caracas.
O debate foi substituído por disputa ideológica. Parte condena sem prova; parte absolve por conveniência. E o jornalismo, muitas vezes, ficou no meio, sem coragem de aprofundar.
O que é possível afirmar hoje:
✔️ Existem acusações formais e delações.
✔️ Existem condenações de ex-integrantes do regime por tráfico.
✔️ Há fortes indícios de corrupção estrutural.
❌ Não há sentença contra Maduro.
❌ Não há prova pública de financiamento político internacional.
❌ Não há prova documental de um cartel formal comandado por ele.
O maior escândalo, portanto, não é apenas o que pode ter acontecido — mas o quanto o mundo preferiu não investigar.
Quando a política se apaixona por versões, a verdade passa a precisar de coragem.







