O Jalapão não se visita.
O Jalapão se sente.
Ali, a terra respira água. Ela brota do chão em silêncio, transparente, impossível de prender nas mãos. Nos fervedouros, o corpo flutua como se tivesse esquecido o peso do mundo. É o cerrado lembrando, com delicadeza, que a natureza conhece leis que a pressa nunca aprendeu.

Em 2025, mais gente chegou. A visitação cresceu 16%. Mas o Jalapão permanece o mesmo: vasto, aberto, indomável. Não se curva ao turismo — apenas o acolhe, desde que ele venha com respeito.
As cachoeiras descem largas, firmes, sem pedir licença. A água cai como quem insiste em seguir adiante. É ali que o calor se desfaz, que o corpo cede, que o tempo desacelera até caber no agora.
E há gente. Sempre há. Mãos que trançam capim-dourado como quem escreve memória. Vozes que conhecem o caminho sem precisar de mapa. Olhares que entendem o Jalapão não como cenário, mas como casa.

Viajar até ali é desaprender. É trocar sinal de celular por sinal de vida. É aceitar que o ritmo é outro, que a natureza fala baixo e exige atenção. O Jalapão não grita. Ele chama.
Talvez seja por isso que mais pessoas chegam a cada ano. Não por modismo, mas por necessidade. Em um mundo barulhento demais, o Jalapão oferece algo raro: silêncio que cura, paisagem que ensina e tempo que respeita.

Quem vai, leva areia no sapato.
Quem volta, leva o cerrado dentro.







