Fundo global para florestas chega a US$ 5,5 bilhões; povos indígenas devem apresentar projetos

O recém-criado Tropical Forests Forever Fund (TFFF), anunciado por Noruega, Indonésia e França, alcançou nesta semana um aporte inicial de US$ 5,5 bilhões destinado à proteção das florestas tropicais no mundo — incluindo a Amazônia.

Apesar dos anúncios financeiros, o fundo ainda não divulgou publicamente os projetos que serão executados.
Isso gerou questionamentos sobre como o dinheiro será aplicado e qual será o papel das comunidades indígenas, principais guardiãs da floresta.

O que será financiado

De acordo com documentos preliminares discutidos pelos países envolvidos, o TFFF terá foco em quatro frentes:

  • Proteção territorial: monitoramento via satélite, drones, combate a invasões, apoio a operações contra garimpo ilegal.
  • Economias sustentáveis: incentivo a agroflorestas, manejo de açaí, castanha, cacau, turismo comunitário e artesanato.
  • Infraestrutura e bem-estar comunitário: energia solar, acesso à água, logística básica para saúde e educação.
  • Capacitação local: formação de jovens indígenas em tecnologia, gestão de projetos e governança ambiental.

Não haverá repasse direto de dinheiro a indivíduos. Os recursos serão liberados para projetos apresentados por organizações indígenas, governos locais e entidades ambientais.

Por que os projetos ainda não foram apresentados?

O fundo está em fase final de estruturação, definindo:

  • regras de governança,
  • processo de auditoria,
  • critérios de elegibilidade.

Só após essa etapa é que as organizações indígenas — como APIB (Brasil) e outras representações regionais — poderão cadastrar projetos e disputar recursos.

Terras indígenas são barreiras ao desmatamento

Um estudo do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) mostra que:

Terras indígenas apresentam os menores índices de desmatamento da Amazônia.

A pressão ambiental ocorre principalmente no entorno desses territórios, causada por:

  • grilagem,
  • garimpo ilegal,
  • exploração de madeira,
  • avanço do agronegócio não regulamentado.

Ou seja, a presença indígena não aumenta o desmatamento — ela o reduz.

Em resumo

  • O TFFF pretende financiar ações ambientais e gerar renda sustentável.
  • Povos indígenas irão propor projetos, não receber dinheiro diretamente.
  • A transparência será obrigatória, com auditoria internacional.

.http://jornalfactual.com.br

  • Inês Theodoro

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