O domingo, 15 de fevereiro, marca mais um capítulo vibrante da programação carnavalesca em Palmas e no distrito de Taquaruçu, onde cultura popular, ancestralidade e celebração coletiva transformam ruas e praças em territórios de festa e resistência. O PalmasFolia – Carnaval Popular da Capital reafirma sua proposta de ocupar espaços públicos com manifestações artísticas, integração social e geração de renda, consolidando-se como um dos movimentos culturais mais expressivos da região.
A partir das 16h, o estacionamento do Espaço Cultural José Gomes Sobrinho recebe o encontro Fenty Ampla – Coletivo de Blocos de Rua, reunindo cortejos, DJs e apresentações que prometem movimentar a cena cultural da capital com diversidade musical e energia carnavalesca.
Enquanto isso, em Taquaruçu — conhecido por suas cachoeiras cristalinas, trilhas em meio à serra e paisagens que atraem visitantes o ano inteiro — a festa ganha contornos ainda mais simbólicos. O cortejo sai da Praça Tarcísio Machado em direção à Praça Joaquim Maracaípe, levando às ruas o ritmo do bloco Batuque Livre e dos tradicionais pernaltas, figuras que misturam arte performática e cultura popular.

Na segunda-feira, 16 de fevereiro, a programação continua com os blocos Conexão Underground e Chambari da Madrugada, além dos grupos Socapino, Tambores do Tocantins e Tabokagrande, que encerram a maratona carnavalesca com cortejos distribuídos ao longo do dia.
Segundo o produtor cultural Erval Benmuyal, coordenador da Casa do Artesão Ponto de Cultura, a festa é fruto direto da mobilização comunitária. Ele destaca que, mesmo diante de poucos incentivos, os coletivos locais se organizam para manter viva a tradição. Para ele, o Carnaval do distrito não é apenas entretenimento: é motor de turismo, fortalecimento do comércio e espaço de formação social, especialmente para crianças, adolescentes e mulheres.

Benmuyal ressalta que o cortejo celebra a lenda da Buiúna — entidade mítica presente no imaginário amazônico e também enraizada na cultura tocantinense — como símbolo de pertencimento ancestral. A narrativa dialoga com cosmologias indígenas e com a diáspora negra, reafirmando identidades históricas e culturais. Inspirado em reflexões do pensador Nego Bispo, ele defende que manifestações populares são formas de recontar a história a partir da perspectiva dos povos que a viveram.
O último dia de celebração começa ao meio-dia, com concentração e feijoada comunitária na Casa do Artesão, e segue até as 20h, quando o teatro de arena da praça principal recebe apresentações de encerramento.
Apoio institucional
O PalmasFolia conta com apoio da Prefeitura de Palmas, do Instituto Palmas Brasil, da Fundação Cultural de Palmas e da vereadora Thamires do Coletivo SOMOS, fortalecendo a realização das atividades culturais e garantindo estrutura para que blocos e coletivos levem arte, tradição e celebração às ruas.

Entre tambores, serras verdejantes e manifestações populares, o Carnaval popular mostra que festa também é território de memória, identidade e resistência — e que, quando a cultura ocupa a cidade, ela transforma não só a paisagem, mas também as relações sociais que dão vida ao território.






