Modelo que une conservação ambiental e renda local transforma o Parque Estadual do Jalapão em referência nacional — mas especialistas alertam que equilíbrio ainda é frágil.
No coração do Tocantins, um dos cenários naturais mais impressionantes do país vive uma encruzilhada silenciosa. O crescimento acelerado do turismo no Jalapão impulsionou a economia regional e deu visibilidade internacional ao destino, mas também acendeu um alerta: sem controle e planejamento, o fluxo de visitantes pode ameaçar exatamente aquilo que sustenta a região — sua natureza intacta.
Nos últimos anos, a região deixou de ser um segredo de aventureiros para entrar definitivamente no radar turístico brasileiro. Redes sociais, influenciadores e pacotes comerciais ampliaram o número de visitantes, aumentando a demanda por hospedagem, transporte e passeios. A mudança trouxe renda e oportunidades para moradores locais, especialmente comunidades tradicionais que passaram a atuar como guias, artesãos e empreendedores.
Especialistas em conservação ambiental apontam que esse protagonismo comunitário é o principal fator que diferencia o Jalapão de destinos explorados de forma predatória. Quando a população local lucra diretamente com a preservação, a floresta, os rios e as dunas deixam de ser apenas paisagem e passam a ser patrimônio econômico e cultural.
Ainda assim, desafios persistem. Trilhas desgastadas, lixo deixado por visitantes e uso irregular de áreas sensíveis já foram registrados em períodos de alta temporada. Para evitar danos permanentes, órgãos ambientais e gestores adotaram medidas como limite de acesso a fervedouros, fiscalização de veículos e programas de educação ambiental voltados a turistas.
O modelo em construção no Jalapão vem sendo observado por pesquisadores e gestores públicos como possível referência de turismo sustentável no Brasil. A lógica é simples, mas exige disciplina: controlar o número de visitantes, valorizar a cultura local e garantir que a exploração econômica nunca ultrapasse a capacidade de regeneração do ambiente.
O futuro do destino dependerá dessa equação delicada. Se bem conduzido, o turismo pode consolidar o Jalapão como exemplo internacional de conservação aliada ao desenvolvimento. Caso contrário, o risco é transformar um dos últimos refúgios naturais preservados do país em mais um retrato de degradação causada pelo próprio sucesso.






