Termina amanhã o prazo para que redes de ensino e instituições educacionais apresentem contestação ao resultado do Selo Alfabetização, cujo ranking, pontuação e classificação foram divulgados na última quarta-feira.
O selo, criado para reconhecer boas práticas na alfabetização infantil, tornou-se também um ponto sensível para gestores municipais e estaduais. Isso porque a certificação influencia prestígio institucional, acesso a programas federais, visibilidade política e, em alguns casos, repasses e prioridades em políticas públicas.
Desde a divulgação dos resultados, secretarias de educação relatam inconsistências nos dados, divergências nos indicadores utilizados e questionamentos sobre os critérios de avaliação, especialmente em municípios que apresentaram evolução em indicadores locais, mas ficaram de fora da certificação.
Como funciona a contestação
As redes que identificarem possíveis erros devem formalizar o pedido dentro do prazo estabelecido, anexando documentos e justificativas técnicas. Após o encerramento do prazo, os resultados tornam-se definitivos, sem possibilidade de revisão.
Especialistas em educação alertam que o processo de avaliação, embora necessário, precisa ser transparente, auditável e pedagogicamente justo, para que o selo não se transforme apenas em um instrumento burocrático ou político, desconectado da realidade das salas de aula.
Pressão sobre gestores e impacto direto nas escolas
Na prática, o Selo Alfabetização acabou criando uma corrida por resultados numéricos, enquanto professores seguem lidando com desafios estruturais: salas superlotadas, defasagem pós-pandemia, falta de apoio pedagógico e desigualdades regionais profundas.
Com o prazo se encerrando, a expectativa agora é de que o órgão responsável analise as contestações com rigor técnico e não apenas administrativo. Para quem perdeu o selo, o sentimento é de que não se trata apenas de uma classificação, mas de uma narrativa oficial sobre o sucesso — ou fracasso — da alfabetização no país.
Depois de amanhã, a discussão deixa de ser recurso e passa a ser consequência.







