Reforma Tributária 2026: catadores não serão taxados — entenda a confusão sobre a reciclagem

Nas últimas semanas, espalhou-se nas redes sociais a informação de que a reforma tributária de 2026 teria passado a taxar catadores de materiais recicláveis, obrigando-os a pagar imposto para vender papel, plástico, metal e outros resíduos. As publicações afirmam ainda que a carga tributária da reciclagem subiria de cerca de 5%–6,5% para até 26,5%.

📌 Essa afirmação, da forma como vem sendo divulgada, não é verdadeira.

O Ministério da Fazenda divulgou nota oficial esclarecendo que a reforma não cria cobrança de tributos sobre a venda de material reciclado feita por catadores, sejam eles pessoas físicas ou cooperativas. Segundo o governo, essa venda continuará isenta de impostos no novo modelo tributário.

De onde surgiu, então, o número de 26,5%?

O percentual citado vem de estudos técnicos e simulações econômicas feitas por consultorias e entidades do setor, que projetam como poderia ficar a carga tributária total do setor de reciclagem em determinados cenários teóricos com a unificação de impostos.

Essas projeções:

  • não são lei
  • não representam cobrança direta ao catador
  • não significam que o catador pagará imposto para vender recicláveis

Trata-se de cálculos que analisam a cadeia produtiva como um todo, e não a realidade da ponta mais vulnerável dela.

O que muda com a reforma, de fato?

A reforma substitui tributos como ICMS, PIS, Cofins e ISS por um sistema baseado no IVA (Imposto sobre Valor Adicionado). O objetivo declarado é reduzir distorções e acabar com o efeito de “imposto sobre imposto”.

Nesse modelo:

  • Empresas que compram materiais recicláveis podem gerar créditos tributários
  • Mesmo quando compram de catadores isentos
  • Evitando que a reciclagem seja penalizada economicamente

Segundo o governo, a reforma busca neutralidade tributária, para que materiais reciclados não sejam mais onerados do que matérias-primas virgens.

Conclusão

Não procede a afirmação de que a reforma tributária obrigará catadores a pagar imposto para vender material reciclado.
⚠️ A confusão surge da mistura entre simulações econômicas e regras efetivamente aplicadas, o que gera desinformação e alarme injustificado sobre um setor socialmente vulnerável.
📌 Até o momento, a posição oficial é clara: catadores seguem isentos, e não há cobrança direta sobre a venda de recicláveis.

Informar corretamente também é uma forma de proteger quem já vive no limite da sobrevivência.

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  • Inês Theodoro

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