União bate recorde histórico de arrecadação em 2025, mas a pergunta central permanece sem resposta clara: quem se beneficia desses trilhões?
O Brasil acordou diante de um número monumental — e silencioso. A arrecadação da União em 2025 atingiu o recorde histórico de R$ 2,89 trilhões, segundo dados oficiais divulgados pela Receita Federal. Nunca o Estado brasileiro arrecadou tanto. Nunca o contribuinte pagou tanto. E, paradoxalmente, nunca foi tão difícil enxergar para onde esse dinheiro está indo.
Em valores corrigidos pela inflação (IPCA), o crescimento real foi de 3,75% em relação a 2024, consolidando o melhor desempenho arrecadatório da história também para o mês de dezembro, com R$ 292,72 bilhões — alta real de 7,46%.
Os números impressionam. Mas números, sozinhos, não alimentam famílias, não reduzem filas no SUS, não garantem segurança pública nem educação de qualidade. Eles precisam virar política pública concreta.
De onde veio esse dinheiro?
A arrecadação recorde foi puxada por uma combinação de fatores:
- Crescimento do setor de serviços
- Aumento da massa salarial (alta de 10,9%)
- Elevação de tributos, como o IOF, que subiu 20,54%
- Explosão da arrecadação com apostas online (bets) — que saltou de R$ 91 milhões para quase R$ 10 bilhões
- Alta de impostos sobre comércio exterior, royalties e rendimentos do capital
Ou seja: o dinheiro saiu majoritariamente do consumo, do trabalho e do crédito, e não de grandes reformas estruturais de eficiência do Estado.
O que está em jogo em 2026
Com R$ 2,76 trilhões apenas em receitas administradas pela Receita Federal, o orçamento de 2026 será construído sobre um dos maiores volumes de recursos da história nacional.
E aqui surge a pergunta que precisa ecoar nas ruas, nas redações e no Congresso:
Onde, exatamente, esses trilhões serão investidos em 2026?
Até agora, o discurso oficial fala em “bons resultados da economia”. Mas crescimento arrecadatório não é sinônimo automático de bem-estar social.
Sem transparência ativa, metas claras e fiscalização rigorosa, o risco é conhecido:
- Manutenção de estruturas ineficientes
- Expansão da máquina pública sem retorno social
- Orçamentos inflados para custeio e não para investimento
- População pagando mais e recebendo o mesmo — ou menos
O Brasil que paga imposto exige resposta
O trabalhador que teve desconto maior no contracheque.
O pequeno empresário sufocado por tributos.
O consumidor que paga imposto até no alimento básico.
Todos eles financiaram esse recorde histórico.
Portanto, a cobrança é legítima:
- Quanto vai para saúde, de forma mensurável?
- Quanto vai para educação básica e técnica?
- Quanto será investido em infraestrutura real, e não em promessas?
- Quanto será usado para reduzir desigualdade e não apenas administrar pobreza?
Arrecadar mais não é virtude por si só. Virtude é transformar arrecadação em resultado social visível.
Conscientização é cidadania
O Brasil precisa superar a ideia de que orçamento público é um assunto técnico demais para o cidadão comum. Não é.
É o dinheiro da vida real. Do tempo trabalhado. Do consumo diário. Do futuro coletivo.
Em 2026, mais do que comemorar recordes, o país precisa vigiar, cobrar e exigir.
Porque quando trilhões entram em caixa e a vida do cidadão não melhora na mesma proporção, o problema não é arrecadação — é prioridade.








