Com mais de 30 mil atendimentos em 2025, órgão amplia fiscalizações diante da alta abusiva nos alimentos
O preço da carne no Tocantins deixou de ser apenas uma preocupação doméstica para se tornar um problema público. Cortes básicos, antes acessíveis, hoje pesam no orçamento das famílias e expõem uma realidade que beira o absurdo: alimentos essenciais se transformaram em itens de luxo nas prateleiras dos supermercados.
Diante desse cenário, o Procon Tocantins intensificou sua atuação ao longo de 2025, registrando mais de 30 mil atendimentos relacionados a práticas abusivas, variação injustificada de preços e irregularidades na comercialização de produtos — com destaque para o setor alimentício, especialmente carnes.
Carne mais cara, consumidor mais vulnerável
Levantamentos realizados pelo órgão apontam diferenças significativas nos preços de um mesmo corte entre estabelecimentos da mesma cidade. Em alguns casos, a variação ultrapassa 40%, sem justificativa clara relacionada a custos logísticos ou de produção.
Para o consumidor, o impacto é direto: redução do consumo, substituição por proteínas de menor valor nutricional e comprometimento do orçamento familiar. Para o Procon, trata-se de um sinal de alerta que exige resposta imediata do poder público.
Fiscalizações e apreensões
Ao longo do ano, o Procon Tocantins realizou operações de fiscalização em açougues, supermercados e frigoríficos, verificando desde a formação de preços até as condições de armazenamento e validade dos produtos.
Como resultado, produtos impróprios para consumo foram apreendidos, estabelecimentos foram notificados e autuados, e fornecedores passaram a responder a processos administrativos. O objetivo, segundo o órgão, é duplo: proteger a saúde do consumidor e coibir abusos econômicos.
Pesquisa de preços como ferramenta de defesa
Outro eixo central da atuação foi a ampliação das pesquisas comparativas de preços, divulgadas periodicamente para orientar a população. As listas permitem que o consumidor identifique onde comprar com mais economia e pressionam o mercado a adotar práticas mais justas.
“O consumidor informado é o primeiro fiscal”, reforça o Procon, que incentiva denúncias sempre que houver indícios de preços abusivos ou irregularidades.
Um problema que vai além do balcão
A escalada no preço da carne reflete uma combinação de fatores: custos de produção, mercado externo, logística e, em alguns casos, especulação. No entanto, quando a conta recai exclusivamente sobre o consumidor, a intervenção do Estado se torna indispensável.
O número expressivo de atendimentos em 2025 evidencia não apenas a eficiência do Procon, mas também a dimensão do problema enfrentado pela população tocantinense.
Como denunciar
Consumidores que identificarem irregularidades podem procurar o Procon Tocantins presencialmente ou por meio dos canais digitais do órgão. Denunciar é um ato de cidadania — e, neste momento, uma necessidade coletiva.







