O Brasil não é pequeno.
Nunca foi.
Mas escolheu agir como se fosse.
Enquanto o mundo entra numa nova era de disputas abertas por energia, território, tecnologia e influência, o Brasil — dono de um dos maiores territórios do planeta, da maior floresta tropical, de reservas estratégicas e de uma diplomacia historicamente respeitada — optou por um caminho confortável: não liderar, não confrontar, não decidir.
O preço dessa escolha já está sendo cobrado.
Um gigante sentado à mesa… sem falar
No tabuleiro geopolítico atual, ninguém ignora o Brasil.
Estados Unidos, China e Rússia sabem exatamente o que ele representa.
O problema é outro:
O Brasil está presente, mas não pauta.
Quando fala, reage.
Quando poderia liderar, silencia.
Quando deveria arbitrar, oscila.
E em geopolítica, quem não define o jogo vira peça.
A ilusão da neutralidade confortável
O Brasil passou a confundir diplomacia com ausência de posição.
Chamou isso de pragmatismo.
Vendeu isso como equilíbrio.
Mas neutralidade sem estratégia não é virtude — é vácuo.
Esse vácuo foi ocupado rapidamente:
- Pelos Estados Unidos, que pressionam por alinhamento político e econômico;
- Pela China, que aprofunda a dependência comercial e industrial;
- Pela Rússia, que usa o discurso multipolar para ampliar zonas de influência indireta.
O Brasil conversa com todos, mas negocia pouco.
E quase nunca impõe condições.
Exportador de commodities, importador de poder
O Brasil se consolidou como potência agrícola e mineral.
Isso deveria ser força.
Virou armadilha.
Exporta:
- Soja
- Minério de ferro
- Petróleo bruto
- Carne
Importa:
- Tecnologia
- Máquinas
- Valor agregado
- Dependência
Esse modelo não gera liderança regional.
Gera subordinação silenciosa.
Nenhuma potência manda exportando só matéria-prima.
Venezuela, Amazônia e o silêncio que fala alto
Na crise venezuelana, o Brasil poderia ter sido mediador central.
Escolheu alternar entre omissão, constrangimento e neutralidade estéril.
Na Amazônia, defende soberania no discurso, mas falha em apresentar um projeto nacional robusto que una preservação, desenvolvimento e segurança estratégica.
O resultado é previsível:
- Pressão internacional crescente
- Questionamentos sobre a capacidade de gestão
- Tentativas externas de tutelar decisões internas
Soberania que não se sustenta com estratégia vira slogan.
O erro histórico: diplomacia sem projeto de Estado
O Brasil muda sua política externa conforme muda o governo.
Potências não fazem isso.
Estados Unidos, China e Rússia têm estratégias de décadas, não de mandatos.
A instabilidade brasileira gera:
- Desconfiança
- Redução do poder de barganha
- Perda de protagonismo regional
O país que já liderou negociações globais hoje segue agendas alheias.
O custo de não mandar
Não mandar não significa não ser afetado.
Significa ser afetado sem decidir.
O Brasil:
- Não define a integração regional
- Não dita regras comerciais
- Não lidera a agenda ambiental
- Não coordena a América do Sul
E, por isso, assiste:
- A América Latina fragmentada
- A soberania negociada em contratos
- O futuro sendo decidido fora do continente
Conclusão: ainda há tempo — mas não muito
O Brasil não perdeu sua chance histórica.
Mas está desperdiçando tempo.
Ser potência não é gritar.
É planejar, coordenar e impor agenda.
Enquanto o Brasil insistir em não mandar para não desagradar, continuará sendo grande no mapa e pequeno na decisão.
E no mundo que se desenha, quem não manda, obedece — mesmo sem perceber.






