“Depois de uma vida de espera e um reencontro interrompido: filha conquista na Justiça o direito de ter o nome do pai no registro — mesmo após sua morte”


Uma assistida da Defensoria Pública do Estado do Tocantins (DPE-TO) conquistou na Justiça um reconhecimento que carrega mais que um nome: carrega identidade, pertencimento e história. Ela obteve o direito de ter oficialmente o nome do pai incluído em seu registro civil, mesmo após o falecimento dele. A conquista é resultado da atuação da 1ª Defensoria Pública Cível de Miracema do Tocantins, localizada a 75 km de Palmas.

A história é daquelas que misturam amor, distância e reencontro. A mulher conta que seus pais viveram em união estável na época do seu nascimento, mas se separaram pouco tempo depois — e ela acabou sendo registrada apenas pela mãe. Mesmo assim, durante a infância, pai e filha conviveram e criaram laços, até que a vida os afastou. O destino, porém, tratou de aproximá-los novamente em 2001, quando voltaram a se falar pelas redes sociais: ele morando em Miracema e ela em Cuiabá (MT).

Este ano, movida pelo desejo de recuperar o tempo perdido, ela decidiu se mudar para Miracema, para finalmente viver a relação que sempre quis ter com o pai. Mas, pouco após sua chegada, ele sofreu um acidente doméstico e morreu no hospital dias depois. O reencontro tão esperado foi interrompido antes que pudesse ser completo. Eles não tiveram tempo de oficializar o reconhecimento de paternidade em cartório.

Sem desistir do sonho, ela buscou apoio na Defensoria Pública do Tocantins. A instituição ajuizou uma ação de reconhecimento de paternidade post mortem (após a morte), pedindo que o registro civil fosse retificado para incluir o nome do pai e dos avós paternos.

Hoje, aos 35 anos, ela finalmente celebra a decisão favorável da Justiça — um capítulo encerrado e um novo documento que simboliza mais que uma certidão: simboliza uma história inteira.

“Pra mim foi um sonho realizado. Era um sonho meu e do meu pai ter o registro. Como perdi meu pai há pouco tempo, na Defensoria Pública me senti muito amparada por todos que trabalham ali durante todo o processo”, emocionou-se.

A decisão não apenas coloca um sobrenome no papel, mas devolve a essa mulher algo que ela esperou durante toda a vida: o direito de ser reconhecida.

Fonte:DPE/TO

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  • Inês Theodoro

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