A saúde começa na cozinha — e morre na indústria

Não é comida. É condicionamento.

Um século de indústria alimentar, infância programada e saúde sacrificada.

A saúde não foi roubada.
Ela foi trocada.

Trocada por conveniência.
Por propaganda.
Por embalagem bonita.
Por silêncio confortável.

Durante os últimos cem anos, aprendemos a chamar de comida aquilo que jamais foi alimento. Aprendemos a aceitar que algo sem vida pudesse sustentar a vida. Que química pudesse substituir natureza. Que lucro pudesse substituir cuidado.

E agora fingimos surpresa com o resultado.


O corpo não está falhando. Ele está reagindo.

O corpo humano não foi feito para açúcar industrial diário.
Não foi feito para óleos refinados repetidos.
Não foi feito para pesticidas invisíveis.
Não foi feito para aditivos que o fígado nunca reconheceu.

Mesmo assim, foi obrigado a engolir tudo isso como se fosse normal.

Quando adoece, ainda o culpamos.


A mentira mais confortável

Nos convenceram de que:

  • Comer mal é escolha individual.
  • Adoecer é azar genético.
  • Engordar é falta de disciplina.
  • Deprimir é fraqueza emocional.

É mais fácil culpar pessoas do que expor sistemas.

Porque sistemas expostos caem.
Indivíduos culpados se calam.


O modelo nunca foi confuso

A indústria alimentícia adoece.
A farmacêutica administra.
A política legitima.
E o cidadão financia tudo isso com o próprio carrinho de compras.

Não é descuido.
É modelo de negócio.

Cura não dá lucro.
Paciente crônico dá.


Nós sabemos. E continuamos.

“Não é fraqueza. É aprendizado. O corpo apenas responde ao ambiente que o ensinou a comer.”

Sabemos que refrigerante não é bebida.
Sabemos que biscoito não é alimento.
Sabemos que fast food não é refeição.
Sabemos que ultraprocessado não é normal.

Mesmo assim, seguimos.

Porque mudar dói.
Porque pensar cansa.
Porque cozinhar exige presença.
Porque romper hábitos exige coragem.

Então preferimos adoecer devagar do que viver consciente.

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  • Inês Theodoro

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