A Revolução que Veio da UFRJ

Como a brasileira Tatiana Coelho de Sampaio pode estar redefinindo o futuro das lesões medulares

Entre as paredes silenciosas dos laboratórios do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma descoberta brasileira está provocando um burburinho que ecoa em corredores científicos, fóruns internacionais e na vida de pacientes que, por décadas, viveram com a ideia de que a regeneração da medula espinhal era quase impossível.

Trata-se de polilaminina, uma molécula baseada em proteínas naturais que, em testes experimentais, demonstrou capacidade inédita de estimular a regeneração neural — inclusive restaurando movimentos em pessoas com paraplegia e tetraplegia.

No centro dessa história está a bióloga e pesquisadora brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, professora da UFRJ e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, cujo trabalho dedicado ao estudo da matriz extracelular e da laminina ao longo de décadas culminou nesta possível virada de paradigma na medicina regenerativa.


De proteína de placenta ao potencial tratamento revolucionário

A polilaminina parte de uma proteína natural — a laminina — presente no corpo humano, essencial na organização e sinalização celular. Ao recriar e polimerizar essa proteína em laboratório, a equipe de Tatiana descobriu que ela pode servir como um andaime biológico, estimulando a regeneração dos axônios — as fibras responsáveis por transmitir sinais do cérebro para o restante do corpo.

Esse efeito, observado inicialmente em modelos animais, foi posteriormente testado em seres humanos em contextos experimentais. Pacientes que haviam perdido movimentos devido a lesões graves na medula espinhal receberam injeções diretas de polilaminina na coluna, em conjunto com acompanhamento clínico e fisioterapêutico. Os relatos incluem melhora motora significativa e, em alguns casos, recuperação parcial ou quase total dos movimentos.


Histórias que inspiram

Historicamente considerada irreversível, a lesão medular causa paraplegia ou tetraplegia. Alguns dos casos mais divulgados no Brasil mostram histórias que ressoaram nas redes sociais:

  • Nilma Palmeira de Melo, que, após um acidente em 2018 que antes a deixaria sem movimentos, recuperou parte da mobilidade e hoje realiza atividades diárias com maior autonomia.
  • Bruno Drummond de Freitas, que sofreu uma lesão na medula e, segundo relatos, após tratamento experimental conseguiu retomar funções motoras antes consideradas impossíveis.

Esses depoimentos pintam um quadro de esperança — mas também levantam questões importantes sobre como interpretar resultados preliminares, sem superestimá‑los antes de validação científica completa.


Anvisa entra em cena: estudos clínicos em andamento

Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início dos ensaios clínicos de fase I com a polilaminina — um passo decisivo para avaliar a segurança da substância em pacientes com lesão medular aguda. Esses testes iniciais representam o ponto de partida para que a terapia possa, no futuro, ser aplicada de maneira regulamentada em uma população maior.


Brasil no centro da inovação científica

O avanço da pesquisa de Tatiana coloca o Brasil entre os olhos do mundo quando se fala em biomedicina regenerativa. Embora muitos no exterior vejam com cautela conclusões preliminares, a comunidade científica reconhece que resultados promissores merecem atenção e análises aprofundadas.

Veículos internacionais repercutem amplamente o feito, ressaltando o caráter inovador do estudo e colocando a polilaminina no radar global como um dos avanços mais excitantes na pesquisa de lesões medulares nos últimos anos.


O desafio pela frente: do laboratório à clínica

Apesar do entusiasmo, especialistas alertam que ainda há um longo caminho a percorrer até que a polilaminina seja considerada um tratamento consolidado e acessível. Estudos controlados, revisões por pares e confirmação de eficácia em diferentes fases clínicas são passos obrigatórios na jornada de qualquer nova terapia.


Por que isso importa?

Lesões na medula espinhal afetam milhões de pessoas em todo o mundo, com impacto devastador na qualidade de vida. Um tratamento eficaz para restaurar movimentos — mesmo que parcial — poderia transformar vidas individuais e a maneira como médicos e cientistas pensam sobre regeneração neural.

O fato de essa pesquisa ter sido conduzida majoritariamente no Brasil, com liderança nacional e financiamento público e parcerias privadas, é um motivo de orgulho para a comunidade científica brasileira.


Conclusão: da esperança à realidade científica

A trajetória da professora Tatiana Coelho de Sampaio é uma história de persistência, paixão e inovação. Seu trabalho com a polilaminina já está mudando a forma como pacientes, pesquisadores e instituições pensam sobre as possibilidades da medicina regenerativa. Ainda é cedo para falar em curas definitivas, mas a ciência brasileira deu um passo gigantesco, abrindo portas para um futuro em que lesões medulares possam um dia deixar de ser sinônimo de condenação permanente — e isso, por si só, já é uma revolução que merece ser contada.


Referências e fontes

  1. Inovação UFRJ – Medicamento capaz de reverter lesão medular
  2. G1 – Medicamento brasileiro devolve movimentos a pessoas tetraplégicas
  3. Gov.br – CAPES fomenta pesquisa da UFRJ sobre lesões medulares
  4. PPG Patologia UFRJ – Ciência em destaque
  5. Wikipedia – Tatiana Coelho de Sampaio
  6. Gazeta Brasil – Vídeo viral mostra pesquisadora explicando a polilaminina

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  • Inês Theodoro

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