Percepção internacional atinge pior nível da série histórica enquanto estudos apontam perdas recorrentes de até 5% do PIB
O Brasil chegou em 2024 ao pior desempenho da sua série histórica no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), indicador internacional que mede como empresários, analistas e especialistas avaliam a integridade do setor público. O dado reforça uma tendência observada ao longo da última década: a deterioração contínua da confiança nas instituições brasileiras.
Segundo a Transparência Internacional, o país obteve 34 pontos em uma escala que vai de 0 a 100, ficando na 107ª posição entre 180 países avaliados. Quanto menor a pontuação, maior a percepção de corrupção.
A pontuação do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção cai de forma consistente desde 2012 e atinge em 2024 o pior nível da série histórica.

A série histórica mostra que o Brasil saiu de patamares próximos a 43 pontos no início da década passada para o atual nível, sem conseguir sustentar uma recuperação duradoura. Para especialistas, a trajetória reflete instabilidade institucional, fragilidade nos mecanismos de controle e recorrentes crises políticas, fatores que afetam diretamente a credibilidade do Estado.
Mas a piora da percepção não é apenas simbólica.
Ela se traduz em impactos econômicos concretos, que atingem o crescimento, os investimentos e a eficiência do gasto público.
A corrupção como custo estrutural da economia
Estudos econômicos conduzidos por instituições como a Fundação Getúlio Vargas (FGV) e análises associadas a organismos multilaterais indicam que a corrupção no Brasil provoca perdas anuais recorrentes equivalentes a uma fatia relevante do Produto Interno Bruto (PIB).
As estimativas variam conforme a metodologia, mas convergem para um ponto central: o custo é permanente e elevado.
Estimativas apontam que a corrupção pode representar perdas anuais entre 1,4% e até 5% do PIB, considerando efeitos diretos e indiretos sobre a economia.

De acordo com esses estudos, a corrupção afeta a economia de múltiplas formas:
- encarece obras públicas por meio de superfaturamento e contratos ineficientes;
- reduz a qualidade dos serviços entregues à população;
- afasta investimentos privados, nacionais e estrangeiros;
- diminui a produtividade e o crescimento potencial do país.
Mesmo quando não resulta diretamente em desvio de recursos identificáveis, a corrupção gera desperdício, ineficiência e má alocação do dinheiro público.
Percepção em queda, custo em alta
A combinação dos dois indicadores — percepção institucional e impacto econômico — ajuda a explicar por que a corrupção permanece como um dos principais entraves estruturais ao desenvolvimento brasileiro.
Enquanto o Índice de Percepção da Corrupção revela a perda de confiança no funcionamento do Estado, as estimativas de impacto no PIB mostram que essa fragilidade institucional tem consequências reais, mensuráveis e recorrentes.
Não se trata apenas de escândalos pontuais ou cifras isoladas, mas de um modelo disfuncional que se repete ano após ano, drenando recursos e oportunidades.
Conclusão
Embora não exista um número oficial que some todo o dinheiro perdido com corrupção ao longo da história do país, os dados disponíveis deixam claro que o problema é crônico, sistêmico e economicamente devastador.
A queda contínua na percepção de integridade e o alto custo econômico associado indicam que, sem reformas institucionais profundas e duradouras, a corrupção continuará sendo um freio silencioso ao crescimento do Brasil.
Fontes:
Transparência Internacional (Índice de Percepção da Corrupção) | Estudos econômicos (FGV, Banco Mundial)







