A imagem simbólica de um ministro do STF envolto na bandeira dos Estados Unidos pode não ser real, mas seu impacto é avassalador. Ela escancara, sem maquiagem, a pergunta que o Brasil insiste em evitar: quem realmente manda aqui?
Porque a verdade é dura — e precisa ser dita com todas as letras:
O Brasil é um país distraído.
Distraído brigando por políticos que nunca brigaram por ele.
Distraído discutindo símbolos enquanto os acordos reais acontecem no silêncio, longe da opinião pública e perto de interesses que não têm bandeira — só têm agenda.
A retirada das sanções dos EUA contra Alexandre de Moraes não é apenas um episódio diplomático.
É um tapa na cara.
É o lembrete de que o jogo geopolítico é feito por gigantes — e nós seguimos acreditando que estamos no centro da mesa quando, na verdade, somos apenas o tabuleiro.
A imagem metafórica do ministro enrolado na bandeira americana funciona porque o Brasil inteiro, no fundo, sabe que não controla o próprio destino como gostaria.
Funcionou porque o país está cansado de ver o poder girar em torno de interesses individuais, corporativos, ideológicos ou internacionais — menos do interesse nacional.
E enquanto isso… o povo se mata por siglas.
Pessoas deixam de se falar por causa de políticos que jamais lembrarão seus nomes.
Famílias se dividem para defender discursos que mudam ao sabor do vento.
Amigos se cancelam para proteger líderes que não moveriam um dedo por eles.
Um país inteiro transformado em torcida organizada.
E o que é pior: torcida espontânea, gratuita, fanática — enquanto os donos do jogo fazem negócios.
Negócios que ninguém vê.
Negócios que ninguém explica.
Negócios que nunca chegam ao cidadão comum.
A imagem do ministro envolto na bandeira dos EUA não revela submissão nem heroísmo.
Revela algo muito mais profundo e incômodo:
a fragilidade emocional de um país que ainda não se reconheceu como adulto político.
Porque adulto não idolatra poder.
Adulto avalia. Questiona. Desconfia. Observa.
O Brasil ainda reage como adolescente:
ou se apaixona ou odeia. Ou endeusa ou demoniza.
Nunca pondera. Nunca exige maturidade institucional.
Nunca cobra responsabilidade real, só narrativa.
Enquanto isso, decisões que impactam o país inteiro acontecem nas sombras — e o brasileiro nem pisca.
Se irrita com memes.
Se mobiliza por slogans.
Perde noites por discursos que mudam de acordo com o interesse de cada líder.
E quando um gigante como os EUA muda repentinamente sua postura — sem relatório, sem explicação convincente, sem justificativa pública — o Brasil não questiona o suficiente. Só transforma isso em munição emocional para brigar mais um pouco.
Estamos perdendo o fio da realidade.
O episódio não mostra que um ministro foi lavado, condenado, perseguido ou absolvido.
Mostra que o Brasil ainda não entendeu que poder global não opera em hashtags.
Opera em:
- influência,
- bastidores,
- pressão econômica,
- alinhamentos estratégicos,
- e coerências que não são morais — são pragmáticas.
O povo briga pelo espetáculo.
O poder negocia pelo resultado.
E nós, espectadores, ficamos com a conta emocional e econômica.
O Brasil precisa acordar — de verdade.
Não para odiar mais um lado.
Não para blindar mais um líder.
Não para se enrolar em mais uma bandeira que não é sua.
Precisa acordar para SI MESMO.
Porque, enquanto continuarmos dormindo, qualquer país pode nos enrolar.
Não só com pano —
mas com decisões, acordos, pressões e interesses que nem sequer percebemos.
A imagem é só o símbolo.
O problema é real.






